Adelino Martins

Adelino Martins

Casamento da Paixão e Fingimento

 5º Capítulo, 5ª saída, continuação:

Sim, sim, o Antoninho falou-me nas amarguras da tua vida, que muito o lamento e me deixou logo extremamente entristecida, respondi-lhe eu, ali ainda comovida. Agora podes ter a firme certeza de que eu também te amo. Aqui, ela respondeu-me que mui bem o sabia; pois que não era por mero acaso que nós estávamos ali; que me conhecia bem, e que me queria como se fosse a sua irmã mais nova; que muito gostava de ficar bem garantida de que o seu Toninho ficava bem entregue, depois, aquando da sua breve partida. Mais adiantou ainda que ela já se apercebera que eu gostava dele e que ele também gostava de mim; que isso era uma condição sem a qual não se conseguiria concretizar o que ela andava a pensar. Acrescentou ainda que, quando o meu Francisco chegasse ela, na sua qualidade de psicóloga, muito queria falar com ele a sós. Depois declarou que, a seguir, talvez até fosse muito bom fazermos uma reunião a quatro. Posto isto, ela perguntou se algum de nós tinha alguma observação e objeção a fazer?! Aqui, eu e o Antoninho olhámos para ela; depois um para o outro e, abraçando-nos, ficámos ali como um íman! Enquanto, dos olhos daquela boa Mariquinhas, brotavam duas copiosas lágrimas que lhes deslizavam pela sua face abaixo…. Mariquinhas!!! Mariquinhas!!!... Estávamos preocupadíssimos. Contudo, ela avisou logo que nos queria bem ligados e sem nos preocupar com ela, pois que aquilo eram apenas e tão somente as suas incontidas alegria e felicidade a jorrarem dela naquele repente, como água pura e cristalina duma nascente! Enfim, que queria ficar bem ciente de que iria partir em uma mulher descansada e, até, muito mais aliviada!...

Entretanto, chegámos às 24.30. Aqui, aquando eu tentava despedir-me deles, a Mariquinhas disse para o seu Antoninho, que como não ia trabalhar me acompanhasse e me apoiasse no que eu precisasse e que podia dormir na minha casa, esperando sinceramente que não nos preocupássemos com ela, porquanto tudo que por mim e comigo fizesse, não era nenhuma traição, pelo contrário era uma prova d’amor a quatro. O Antoninho, abraçou-a ternamente e, beijando-a nos lábios, disse-lhe que fazia aquilo pelas duas, porquanto nos vinha amando terna e incondicionalmente.

Depois eu também a abracei contra mim e segredei-lhe: Minha querida, estou a gostar mais de ti e do Antoninho do que de mim mesma! Mariquinhas, ainda estou virgem!... Aqui ela disse que já o vinha deduzindo; enquanto ia ordenando que subíssemos ambos tranquilos. E logo aconselhou o Antoninho, que levasse um par de cuecas a escova de dentes e o roupão que estava no gavetão, porque o outro fora para a máquina de lavar no sótão.

Subimos de mão dada. O Antoninho, sempre muito carinhoso e meigo para comigo, ia tentando conformar-me, fazendo por mim o seu melhor em todos os sentidos. Mostrei-lhe a nossa casa, para que ele ficasse ali um pouco mais à sua vontade. Ele perguntou-me o que eu achava se tomássemos banho juntos. Não sei, Toninho, preciso de ser guiada, porque eu disto não percebo rigorosamente nada. Eu estava muito entusiasmada, porém sempre dependente dalguém…. Então ele disse que ia para a casa de banho dos quartos e que eu fosse para a do quarto principal. Pediu-me para não demorar muito, pois que ele estava quedando um pouquinho estressado. Eu também estava ali numa compreensiva mescla de nervosidade com alguma ansiedade – talvez ainda mais do que ele – porquanto iria ser possuída por um homem de verdade a primeira vez! Tomei banho, perfumei-me e, quando estava pronta, pus o quarto a meia luz, demorando o mínimo tempo necessariamente indispensável. Sempre a pensar que eu pudesse falhar com aquele que, entretanto, sem que eu bem o soubesse definir, pelos vistos já o vinha amando.

Depois ele não entrou no meu quarto sem bater à porta e perguntar se podia entrar. Já no interior, o Antoninho, observou como a cama era bem mais larga do que era suposto ser normal!!! Foi encomendada pelo Francisco, possivelmente para que os nossos corpos não se tocassem! disse-lhe. Ao que ele respondeu que não era d’estranhar tal, dado o desvio da sua orientação sexual…. Enfim que ele próprio também, a dormir com um homem não se sentiria bem, nem mesmo com o seu pai! Depois abraçámo-nos logo ali em pé. Ele beijou-me na testa e eu fechei os olhos e deixei que ele me conduzisse. Dizendo que me amava, voltou a beijar-me na testa, baixou para os lábios, o pescoço; fez uma massagem com a ponta da língua no bico dos meus seios – eu sentia-me nas nuvens a voar, de tudo esquecida – enfim uma sensação de bem-estar, felicidade e prazer que nunca havia sentido durante os quase vinte e um anos da minha existência!

Então, depois de me acariciar o rosto e um beijo prolongado na boca, pegou-me nos seus braços ao colo e perguntou-me de que lado queria ficar. Respondi-lhe que só queria ser toda dele e ele meu de qualquer um dos lados. Colocou-me no direito e perguntou-me como queria a luz. Disse-lhe que preferia luz fraquinha e desliguei logo o candeeiro da minha mesa de cabeceira, enquanto ele pegou no dele e colocou-o na alcatifa acostado à cama.

Agora o ambiente estava assim convidativo, extremamente amoroso, do meu agrado e d’acordo com a minha timidez, enfim de ser a primeira vez…. Deitou-se ao meu lado e disse-me: “Acalma-te e descontrai-te, Genoveva, que tudo vai correr bem; sim, com amor e calma corre sempre tudo bem. Quero-te amar tanto como venho amando a Mariquinhas”.

Agora virado para mim a seu gosto, colocou o seu braço esquerdo por baixo do meu pescoço, enquanto a sua mão direita me acaricia o rosto, beijou a minha testa, os meus lábios e, continuou acariciando o meu pescoço, foi descendo até às ancas, aconchegou-me e logo a sua mão saltou para os meus seios, desceu ao ventre, saltou para as conchas acabando na minha vagina: Aqui, com a polpa dos seus três delicados dedos da sua mão direita, massajou-ma superficialmente, enquanto me ia beijando na boca.

Sempre a perguntar-me se eu me sentia bem, se eu estava a gostar! Eu estava a sentir tamanho bem-estar – misturado com prazer que nem sequer conseguia pronunciar palavra que o conseguisse explicar, enfim uma felizarda numa verdadeira mulher!

A continuar



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