Esta nova exposição de Graça Morais, que vai ser inaugurada hoje à tarde, pelas 16.30, no Centro de Arte Contemporânea, em Bragança, revela pintora uma pintora preocupada com o sentimento humano e o lado mais negro do mundo atual.

A exposição “Anjos do Apocalipse”, com 40 quadros, transmite as emoções, os sentimentos, em que a autora revela ““Isto nasceu no mundo rural , mas eu sou do mundo e estas figuras não não retratos, são sobretudo emoções e sentimentos”.

O “lado mais negro e inquietante do mundo”, o “risco de entrar numa guerra” e a “situação caótica e dolorosa” de muita gente estão retratados através de “anjos”, personagens com boca aberta, como símbolo de grito e de anúncio de tempos que “não são bons”.

A maioria das obras de arte que fazem parte desta exposição começaram a ser pintadas em maio, despoletadas pelo seu lado mais atento à relação do ser humano com a sociedade, dando destaque aos oprimidos, que estão “cada vez mais pobres”.

Na conversa que teve com a comunicação Graça Morais falou dos seus demónios interiores, das raízes que a ligam à sua terra Vieiro e das memorias profundas deste território que é Trás-os-Montes “ O meu atelier não é um lugar onde eu me isolo para esquecer o mundo, é pelo contrário, é um lugar onde eu, em total liberdade, crio obras que têm a ver com o meu carácter, com a minha criação, por isso, as notícias são importantes, as notícias que chegam perto de mim. E, ao mesmo tempo, a leitura de grandes pensadores”.

Uma parte dos quadros que fazem parte da exposição “Anjos do Apocalipse” foram pintados no seu atelier, em Freixiel.

Esta exposição é sobretudo um “chamar a atenção das pessoas, à sua consciência, para olharem com mais empatia e bondade para as outras pessoas que [as] cercam”, alertando para os perigos das redes sociais, com a difusão de notícias falsas.

De acordo com a artista, esta exposição é um diálogo como e os anjos “eu sempre ouvi falar do diálogo que eu ouvi falar de Deus, que eu ouvi falar de anjos.

E, para mim, os anjos bons são as pessoas boas que me protegem, que me ajudam, que criam, que ajudam a sobreviver, amizade, os amores, são os meus anjos. Mas, infelizmente, nós também estamos só rodeados de anjos, esses tais que não são anjos, são diálogos, que agora falam-me nesse crime, maldade, o rancor, todos os sentimentos piores que não conhecia em Trás-os-Montes. E, de facto, se estivermos atentos ao mundo, nós sabemos que há essas forças mais que provocam os guerras”.

Os seus lamentos e emoções continuam com o estado atual do mundo “sente tive uma grande preocupação sobre o mundo, sobre a minha forma de ser de um mulher e como artista, neste momento, nós estamos assistindo a líderes mundiais que são mentirosas, são manipuladores e que falam na democracia, falam que eles têm razão de justiça, mas é tudo falso, fazem guerras em nome de Deus” .

Graça Morais fala sobretudo da dimensão espiritual da sua pintura “E eu não pinto aquilo que não existe. Eu pinto a memória mas com o presente, sempre, e o presente é muito importante … parte da minha pintura é uma pintura autobiográfica, onde a minha infância entra em força, não pequenina, mas aparecem as minhas memorias, aparece a minha ligação com a Igreja, com o que eu fiz sempre católico quando era criança, esquentada as capelas, claro, teve a ver com a capela de Vieiro. Depois a paisagem, a iluminação sagrada do fim de dia. Depois a paisagem, a iluminação sagrada do fim de dia, hora é que eu sempre gostei mais de de pintar, era o fim de dia, emque até os pássaros se calam, eu não encontro esta dimensão sagrada em nenhuma parte do país como aqui em Trás-os-montes. Se calhar por isso é que o Torga chamava isto e bem reino maravilhoso.

Com esta exposição “eu gostava de desafiar esta nova presidência, Dr. Isabel Ferreira a trazer aqui a este sítio grandes pensadores, estudioss, escritores, gente de várias áreas a falar sobre a arte, a importância da arte em várias atividades da vida das pessoas, mas essas pessoas bem, (13:08) um dia, fazermos um esforço para mostrar o melhor que temos, na nossa cidade, e está na cidade para quem vive cá, e vocês conhecem melhor, mas eu acho que há uma qualidade de vida aqui”.

EStas obras de Graça Morais podem ser vistas até maio, no Centro de Arte Contemporânea ao qual dá nome, em Bragança, um ano depois de dar início a todo o processo artístico, querendo acreditar que nessa altura já terá “boas notícias do mundo”, com curadoria da artista Graça Morais e do Professor António Meireles, a exposição “Anjos do Apocalipse" reúne obras de profunda sensibilidade e atualidade, sendo muitas delas inéditas e recentes. 

Ao mesmo tempo será inaugurada a exposição “Os dedos, rebentos de soja”, de José Loureiro. 

O trabalho do artista José Loureiro procura titilar e "(co)mover" cada pessoa. O conceito central remete para a imagem dos "dedos das mãos" que se assemelham a "rebentos de soja extra-longos" ao amanhecer.

A exposição explora ainda o conceito da "risca", fundamental para o artista na busca de regulação e orientação. O processo criativo inclui a manufatura cuidadosa de uma "risca" para, de seguida, obedecer ao impulso de destruí-la, descobrindo que, apesar da destruição, a obra permanece "para sempre". Quando a palavra "risca" é dita com a veemência certa, ela "arranha", mas, estranhamente, o dano faz com que a arte soe "mais verdadeira", sendo enriquecida pelo ruído singular.

Diário de Trás-os-Montes (António Pereira) com Lusa.




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