Enquanto todo mundo permanece adormecido, em Trás-os-Montes, no planalto mirandês, em Vila Chã da Braciosa, (Bila Chana de Barciosa) acontece magia logo ple manha bem cedo com um frio de rachar, os seus poucos habitantes são acordados bem cedo pela Velha, pelo bailador e pela bailadeira, ao som da gaita de foles, do bombo e o pandeiro.
Esta festa acontece no primeiro dia do ano, e está ligada ao peditório e saudação aos moradores que é feito de casa em casa, para a Festa do Menino Jesus, sendo também designada de festa do Ano Novo e de Festa da Velha
Durante a ronda pela aldeia, e após cada a dança do bailador e da bailadeira, saúdam os donos da casa e recebem os donativos, que podem ser em dinheiro ou em fumeiro que é transportado na vara da Velha.
A ronda acaba antes da missa solene que acontece por volta do meio-dia e conta com a participação dos músicos e da bailadeira, onde o velho não entra.
Despois acende-se a grande fogueira no largo da igreja , com direito a bailarico pela tarde e noite.
Benjamim Pereira, no seu livro Mascaras Portuguesa de 1973, faz referência a este rito ancestral, e vale a pena ler: “Em Vila Chã da Braciosa, a velha é o homem de cara tisnada com cortiça queimada, vestido de mulher, com jaqueta e saia de burel, grande colar de bugalhos, uma borracha com vinho, que de quando em quando leva á boca, uma cruz de cortiça queimada numa das mãos, com a qual enfarrusca as pessoas que lhe dão esmola, e na outra uma estaca com uma bexiga de porco cheia de ar, onde pendura as chouriças que recebe. Salta e dança a todas as portas da aldeia, secundado por um dançador vestido com saia típica dos pauliteiros e por um rapaz vestido de mulher, com castanholas. Esta trindade, é acompanhada por um gaiteiro”, no dia de ano Novo”.
É assim ainda hoje como podemos testemunhar na ronda pela aldeia do planalto Mirandês, onde o bolo rei é substituído pela Bola Mirandesa e o vinho fino faz parte das primeiras provas do dia.
No cortejo também estava a presidente de Câmara de Miranda do douro, Helena Barril, que nos disse que “neste momento estamos a aguardar a inscrição da Festa do Menino aqui de Vila Chã, que é a festa de hoje, de 1 de janeiro, em que temos a Velha e os dançadores e todos estes rituais com a missa, todos estes rituais que fazem parte integrante desta manifestação cultural”.
Helena Barril referiu ainda “também a aguardar a inscrição da festa de Santa Luzia de São Pedro da Silva, em que há o Velha e a Galdrapa, e a festa também de Constantim com Carocho e a Velha. Nós inicialmente tínhamos mandado o pedido de inscrição de uma forma conjunta e pedíamos a inscrição dos rituais destes três manifestações culturais que fizemos o pedido em conjunto, como uma manifestação cultural das festas de rituais do solstício de inverno e do Instituto Património, no entanto solicitaram-nos que fizéssemos a inscrição individual, e foi aquilo que fizemos e agora estamos a aguardar que se concretiza o mais rápido possível, mas isto para nós começa a aparecer uma eternidade”.
Sobre estas festas a presidente disse “isto, de facto, é magnífico, é identitário deste território que é o período das festas do solstício de inverno, é um período riquíssimo aqui no Nordeste Transmontano e em todo o planalto Mirandês”.
António Pereira