O famoso futebolista Cristiano Ronaldo, disse do gosto que tinha em dar uma mãozada e um abraço ao presidente Trump, personalidade plena de léria e pasmada com ela própria por ser julgar muito excecional e, fizeram-lhe o gosto.
Foi com a roupa domingueira ao manjar na Casa Branca, integrado na comitiva do seu patrão, o homem efetivamente reinante na Arábia Saudita, reino e terra de muito petróleo e de muita coisa a lembrar a Roma antiga no que concerne a perseguição de opositores políticos e religiosos.
Perante a excursão de negócios de muitos milhões, logo por cá, pelo nosso Portugal, onde abunda a espuma dos dias e onde se passa a vida à procura de motivos que nos façam inchar de orgulho, se calhar, porque se não valoriza o que importa, se levantaram vozes a cantar hossanas, não faltando, entretanto, uma ou outra a tecer críticas.
Os orgulhosos pelo feito, a dizerem que o futebolista, capitão da Seleção Nacional, fez o papel de embaixador de Portugal junto da corte, onde os bobos e os tolos ponteiam, e onde os finos, os que verdadeiramente mandam, se escondem na floresta iluminada com o brilho das luzes das novas tecnologias, que nos robotizam.
Os outros, por sua vez, não se ficaram, e disseram que se o consagrado futebolista, tivesse um pingo de noção de como devem ser as coisas, nem sequer aceitaria jogar à bola no meio do deserto rodeado de edificações e de ruas de assombrar, e não teria o desejo de visitar o seu admirado presidente dos Estados Unidos da América.
Entrando agora no ponto, depois de dizer que para mim, o futebol, é a coisa mais importante das coisas com pouca importância, digo antes de mais, que tanto se mê dá, como se me deu. Não tenho nada a ver com quem se visita ou deixou de se visitar, nem com quem foi ou não ao banquete regado com o melhor que há e com as mais finas especiarias. Que lhes tenha feito bom proveito.
Dá-se, no entanto, o caso, que sinto que me respeita enquanto português, o facto de terem considerado aquele compatriota como embaixador de Portugal naquele cerimonial de lisonja, de facadas nas costas e de acordos de negócios de muitos milhões. Nada houve de política, e nunca em tempos algum, alguém fez ao jogador semelhante encomenda de tarefa.
Aliás, não poderia alguém fazê-lo, pelo menos quanto a mim, que acho que nem a Seleção traduz sequer, a realidade do futebol nacional, apesar de ser constituída por jogadores do melhor que existe no mundo, rapazes cheios de valor e de valentia, mas que são mais fruto do seu talento pessoal e do seu esforço, do que de uma qualquer política desportiva integrada e aparecida por via da planeamento e de estruturas conseguidas.
Basta que se atente um pouco, e se deite um breve olhar sobre os campeonatos de futebol nos escalões médios e superiores, para se concluir que a correr atrás do esférico sobre os relvados, estão jogadores estrangeiros, enquanto os jovens lusos a quem se venderam sonhos e ilusões, ficam por uma carreira em clubes medíocres e com salários de quase fome e em atraso.
Mas voltando à visita de Cristiano Ronaldo ao presidente que consigo mesmo se espanta perante o espelho que o engana. O homem agora muito mais que um atleta de competição, é uma marca que permite faturar muitos milhões a si a outros a quem serve.
Quando entra em campo, é muito mais porque faz reluzir a imagem, do que pelo brilho do seu talento, pelo seu desempenho efetivo, sem que haja lugar a críticas por já não ser o que era. A inevitabilidade de algumas coisas da vida, assim obriga, como bem sabemos. Encantou e encanta, mas já não espanta.
Resta-lhe a condição de marca que ainda rende e vende. O resto é ilusão adequada a este nosso mundo de ilusões e de equívocos, nesta época de enganos, diluídos na essência do éter que tudo ilude, muito esconde, e pouco de fidedigno revela.
No fundo, e sem ofensa, o mais consagrado e mais rico atleta de Portugal e arredores, pode ser equiparado ao boneco da Michelin, uma célebre e simpática imagem, que há alguns anos, nos dizia de uma marca de pneus, surgindo escarrapachada no horizonte perante o olhar dos condutores, como afirmação de qualidade garantida.
Confesso, pois, que concordo com quem não reconheceu naquele ninho de poder, o papel de representante, de embaixador, à marca CR7, até porque tal condição, foi até há algumas décadas, poucas, atribuída ao vinho do Porto, um produto ímpar, fruto de hercúleos trabalhos no erguer de vinhedos onde havia fraguedos e silvados.
Em caso futuro e semelhante, alguém se deverá lembrar de lhe pedir que leve para o repasto, uma garrafa de vinho “da pipa do patrão” daquele de se beber e chorar por mais. Do que até faz estalar a língua.
Mais não seja, acrescentará algo mais à ementa e a todos nós.