Manuel Igreja

Manuel Igreja

A Guerra e o Tresloucado Homem do Boné

 Nos bancos da escola, aprendemos que as guerras eram feitas uma vezes por razões de patriotismo e outras por motivos de religião. Consequentemente, foi-nos ficando a ideia de que por mor da nossa Nação, a de cada qual, ou por causa do Deus e dos profetas da religião que noa acalenta e orienta, quando é o caso, se semeou muito ódio, muita morte e muita destruição.

No entanto, conforme vamos cultivando o nosso saber e somando os anos da nossa vida, podemos ir-nos apercebendo de que frequentemente, ou quase sempre, o reais motivos que impeliram e empelam o guerrear, foram e são antes de mais, a fome de mais poder e de mais riquezas, e a sede de matar por necessidade, mas também por prazer.

Iniciada cada guerra, sem apelo nem agravo, indivíduos de concórdia e antes arredados das coisas bélicas, em face da possibilidade de morrer, num ápice viram feras prontas a matar para não morrerem. Passada a linha do razoável, os outros, os semelhantes, assumem a figura de coisa a destruir, para defesa daqueles que urge defender e das ideias a implementar.

Mostra-nos a História que após a proclamação da guerra, se festejava com bailes e foguetes no ar, como ir-se para as contendas nos campos de batalha mais não fosse do que um passeio no parque. As emoções patrióticas que toldavam e toldam a sanidade mental, inebriavam e inebriam quase tudo o que é gente de ambos os lados e de todos os credos.

Os livros e os filmes, revelam-nos que apesar de tudo, havia honra e glória, entre o beligerantes impulsionados pela coragem e pelo instinto de sobrevivência despertados pelos estrondos e pelo jorrar do sangue nos corpos que que se contorciam mesmo em frente dos olhos dos pelejadores. Diz-se e a uma pessoa acredita, que apesar de tudo, as guerras eram feitas com regras e em certa medida, por cavalheiros. Os vencedores, eram tanto maiores, quanto fosse o seu respeito pelos vencidos.

Como sendo destino, ou inevitabilidade natural, os seres humanos começaram a guerrear-se com pedras, com paus, com ferros, com pólvora e com mais um não se sabe quantos meios letais, crescentemente eficientes, ao ponto de agora, com um mero premir de um botão, na comodidade de uma cadeira, se poder espalhar a destruição e a morte sem riscos de maior e sem se encarar o rosto daqueles a quem se ceifa a vida.

Potencialidades que o saber permite aos Homens a quem falta sensibilidade e a maturidade necessárias para que sejam capazes de alcançar a noção das verdadeiras consequências do díspar de gatilhos e de mísseis, que voam a velocidades ultrassónicas e com um raio de destruição nunca visto. A ciência das coisas permite-nos a morte à distância sem apelo nem agravo. Quase sem incómodos.

A guerra mais se afigura na modernidade, a um jogo eletrónico próprio de brincadeiras de crianças, daqueles com que os pais se sossegam por terem para si que os seus rebentos estão a salvo de perigos enormes como esfolhadelas de joelhos ou pequenos rasgos na pele, confinados que estão entre as paredes dos quartos e sob as telhas que cobrem as casas.

Ao longo dos tempos, sempre os humanos se guerrearam refinando técnicas e noções reunidas em compêndios com o nível de cátedra e de muita competência. Grandes generais fizeram-se pequenos imperadores, e distintos soldados fizeram a diferença em feitos e em defeitos. Com a guerra construíram-se identidades. Nela, existiam e existem génios no mister, mas também seres erráticos e errantes. Gente arrogante que perdeu por falta de visão e de humildade.

Por exemplo, Napoleão perdeu em Portugal, porque nos subestimou, perdeu na Rússia porque não sabia do “General Inverno”, que congelou os seus solfados, na I Grande Guerra, houve milhões a morrer porque se combateu com estratégias fora de tempo e, Hitler perdeu, porque pensou que a suposta condição de sangue puro dos arianos - que ele não tinha -, o tornava imbatível.

Mas pior, porque é agora e nos afeta, o tresloucado Presidente dos Estados Unidos da América, está a levar pela arreata o mundo para o abismo, porque a sua fanfarronice, o leva a julgar-se imbatível e senhor de tudo e de todos. Acolitado por gente de compreensão lenta e estupidez acelerada e com muitos maus fígados, segue desabrido, inseguro e insensível. Esconde o que sente, porque nem ele o sabe porque não consegue pensar.

Nada há-se tardar para que alguém lhe diga que existiu o imperador Calígula na Roma Antiga nomeou cônsul o seu cavalo preferido. Como não faz ideia de quem foi semelhante traste igualmente louco, não irá quer ficar-lhe atrás e irá querer nomear senador algo se sua primeira preferência. Talvez uma daqueles bonés estúpidos com que protege o belo e alaranjado penteado.

Por mim, acho muito bem. Pelo menos eles evitam que se esfume ainda mais a sua ténue lucidez. Quem dera que o usar chapéu vira-se moda.



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