Diz-nos quem sabe, que o algoritmo, é um conjunto de instruções lógicas, finitas e bem definidas para resolver um problema ou executar uma tarefa. Não sabia como defini-lo, pelo que utilizei uma ferramenta que funciona com base na sua função.
Para mim, ele, o algoritmo, de que me chegam referências a toda a hora, é algo que sinto que existe, mas que não vejo, uma coisa como que rodeada de magia como as bruxas de antigamente. Contrariamente a ele, elas não existiam, mas que as havia, havia, como era costume dizer-se.
Nos tempos desta modernidade que nos cabe atravessar, no intervalo que vai entre o primeiro e mais primoroso berro, e o instante em que os olhos se nos fecham para nunca mais os abrirmos, ele, escondido algures numa qualquer caverna pressentida, manda em nós como um general ora insano, ora lúcido, e diz-nos o que adquirir, o que pensar e o que escolher.
Nós não sabemos, mas somos marionetas comandadas na representação de uma peça de loucos que decorre em palco com a duração da nossa vida. Resta-nos esperar que haja aplausos antes que o pano feche, facto essencial para que individualmente sintamos que valeu a pena e que os ensaios foram frutíferos, mais não seja, porque não existe oportunidade para repetições.
Visto assim, mais parece que o algoritmo que nos faz agir, inevitavelmente, é algo de demoníaco. No entanto, pode não o ser, apesar de ser propriedade, digamos assim, de seres com alma de mafarrico e com apetite de dinheiro que nem ogres eternamente famintos a quem a comida nunca basta.
São eles, uma meia dúzia se tanto, desalmados e cegos pela ganância, quem por via do conhecimento que entrelaçadamente foi sendo adquirido, chegaram a um ponto no saber próprio de pequenos deuses, num tempo em que ainda não aprenderam a ser Homens, condição que no fundo, se aplica a qualquer um de nós, inclusivamente eu que isto escrevo, e a vossas mercês que isto leem.
No entanto, a situação não é nova apesar de o parecer. Caso se deite um olhar pelo retrovisor do carro que nos leva na viagem da vida, facilmente se pode concluir que sempre que se verificou uma mudança minimamente radical no quotidiano vivido ou a viver por causa das invenções que surgiam, logo se temiam os consequentes efeitos com o inevitável anúncio do fim do mundo.
No século XIX, mais concretamente pelo seu meado, quase que a cada alvorecer, correspondia um nascer de coisas de espantar e de temer. As máquinas a vapor, o telefone, a eletricidade, os automóveis, e outras coisas que tal, faziam qualquer cristão se benzer com a mão esquerda para espantar o diabo que só queria desencaminhar quem estava no seu remanso, acomodado no seu sossegado lidar com as coisas do se viver.
Mais tarde, no século seguinte e ainda na memória de muitos de nós, apareceu a televisão, a caixa mágica que faz que nos entrem em casa pessoas de fora da nossa terra, mas que passamos a ter como conhecidas que nos consomem o chá ou o vinho da nossa garrafa.
A casa de cada um, passou a ter uma janela que dá para o mundo, permitindo-nos ver coisas de encantar, mas também coisas de arrepiar. Funcionando em espelho, a televisão permito-nos imagens de nós, como capazes do melhor e do pior, na concretização de atitudes sublimes, e de atitudes mais próprias de bestas do que de seres humanos.
Quando surgiu, os mais atentos temeram. Nada tardou que se concluísse, que por via dela, se moldariam gostos e opiniões, se influenciariam exercícios e formas de alcançar o poder. O mundo ficou mais pequeno e mais igual. As mensagens moldadas e adequadas aos fins, passaram a fluir e a influenciar.
Pouco de novo, pois então, em relação ao algoritmo. Contudo, há um pequeno pormenor que faz toda a diferença: Agora, o comando, deixou de estar totalmente na nossa mão, e tem botões que uma pessoa nem sabe.