Acredito que sim. Talvez com outra denominação, ênfase e enquadramento.
Trata-se da Serra de Passos – Santa Comba – Garraia, que tanto orgulha os mirandelenses, e não só, e tanta tinta já fez correr.
Recentemente, foi lançado o site Montanha Sagrada para a sua divulgação. Nele irá encontrar conteúdos muito interessantes, desde a Arqueologia e Arte, Investigação, Ameaças, Percorrendo a Serra, etc.
“Neste site apresentamos a história e a paisagem singular da Serra de Passos - Santa Comba - Garraia, em Trás-os-Montes: a Montanha Sagrada. A sua proeminência natural e a relevância simbólica e histórica acompanham-na desde os tempos pré-históricos, reveladas por quase quatro décadas de investigação arqueológica.” (ª)
“A Serra de Passos–Santa Comba–Garraia é um dos mais extraordinários conjuntos de arte rupestre esquemática da Península Ibérica, tanto pela quantidade e concentração de figuras, como pela diversidade inigualável de figuras oculadas.” (ª)
“Os verdadeiros monumentos que trespassaram o tempo são as escarpas.
São, simultaneamente, as menos afetadas por destruição humana.
Por esse motivo — no presente como no passado — elas emergem, agressivas, em forma de dobras alinhadas de quartzito colorido, quase desnudadas de vegetação, mas albergando abrigos com extravagantes formas e tamanhos.
No inverno e na primavera, o silêncio é apenas interrompido pelo gotejar da água; no verão e no outono, as escarpas envolvem-nos na sua frescura e quietude, enquanto nos maravilhamos com a paisagem em redor da Serra.
Percorrendo a Montanha é, assim, um convite à experiência do lugar onde espaço, natureza e memória convergem na sensibilidade de cada um.” (ª)
Convido o leitor a explorar o site, inteirando-se dos temas abordados, e, quiçá, se entusiasme a visitar a Montanha Sagrada. Confesso-vos que já tive o privilégio de fazer uma visita guiada, a qual me transformou. Aprendi imenso com os especialistas, escutando informações pertinentes e uma insaciável vontade de saber mais e mais – foi uma aula em contacto direto com a matéria. Não vi só arte rupestre esquemática peninsular e escarpas; tomei conhecimento de que a Serra é um museu a céu aberto, no que diz respeito à flora, contendo espécies únicas que têm de ser preservadas.
“Contudo, se explorarmos com cuidado os importantes afloramentos rochosos das cotas mais elevadas, encontraremos todo um leque de endemismos dos mais diversos grupos sistemáticos: desde as silvas (Rubus henriquesii) até formações herbáceas graminóides (como a Koeleria hispanica), narcissos (Narcissus rupicola) ou cravos (Dianthus lusitanus). Tudo isto aponta para um tesouro biológico que merece a nossa atenção e que nos chama a preservar este património único.” (ª)
Muito e muito ficou por ver – um dia soube a pouco. Por fim, a paisagem que se avistava em redor era deslumbrante!
A Montanha Sagrada é uma JOIA RARA que enriquece sobremaneira Mirandela, assim como os concelhos contíguos: Valpaços e Murça. Devemos, todos, contribuir para a sua divulgação e preservação.
Mirandela não pode apenas ser conhecida como “a terra das alheiras”. Uma forte aposta no turismo sustentável - visando dar a conhecer o riquíssimo Património Cultural e Natural do município, não esquecendo a vila e as aldeias -, faria toda a diferença para atrair visitantes e o comércio local revigorava. Para isso, há que ouvir os especialistas, as associações culturais, as juntas de freguesia e a população - todos os intervenientes; há que planear e criar condições para que todos saiam a ganhar.
Esta Serra, tem todas as condições para ser Património Mundial da UNESCO. Os três municípios - Mirandela, Murça e Valpaços - têm de reconhecer o seu enorme potencial. É fundamental que se unam em torno deste bem único e que sejam mais ambiciosos. Têm de escutar ativamente, criar condições e apoiar os especialistas que há quatro décadas fazem trabalho de investigação arqueológica na Serra.