Teresa A. Ferreira

Teresa A. Ferreira

Crónica 1: O Silêncio sobre Trás-os-Montes Tem de Acabar

O Preço da "Licença Social": Como a Engenharia Mineira Tenta Comprar o Nosso Chão

Há um fantasma antigo que ronda as serranias de Trás-os-Montes. Não veste as vestes tradicionais da nossa gente, mas sim o fato cinzento dos gabinetes de relações públicas de grandes multinacionais. Quem caminha por Montalegre e Boticas percebe que a ameaça ao nosso território já não se faz apenas com as máquinas no terreno; faz-se através de uma guerra psicológica desenhada para fraturar a nossa maior força: a coesão comunitária.

Na literatura corporativa global, existe um conceito sagrado para os investidores: a Licença Social para Operar (LSO) [ScienceDirect LSO Study]. Trata-se de uma aprovação informal que as empresas tentam fabricar no seio das populações para reduzir a contestação e proteger os seus investimentos. Para as multinacionais com interesses no Romano, na Borralha ou no Barroso, obter este consentimento forçado é uma questão de sobrevivência financeira. E como o fazem? Através da engenharia social [Sage Journals Extraction & Engineering].

As táticas aplicam-se na nossa região com precisão matemática, abrangendo de forma idêntica as três frentes mineiras que nos cercam [ScienceDirect LSO Study, Sage Journals Extraction & Engineering]. A primeira é o clássico "Dividir para Reinar": introduzem-se promessas de empregos ilusórios para colocar vizinho contra vizinho. Segue-se a cosmética social: a criação de "pseudo-comissões" de acompanhamento, como a recente estrutura promovida na Borralha. São fóruns de fachada, autênticos palcos de simulação democrática onde as decisões reais já foram tomadas nas costas das populações [Sage Journals Extraction & Engineering].

Contudo, a face mais visível desta engenharia é a tentativa de cooptação e patrocínio. O tentáculo do interesse extrativo estende-se agora para fora da nossa região, desenhando uma estratégia calculada de aproximação a casas e associações regionais situadas nos grandes centros urbanos. Através da promessa de donativos generosos, procura-se subordinar a dignidade destas instituições à aceitação do projeto mineiro, anestesiando o orgulho transmontano longe da sua terra natal. Esta mordaça estende-se ao espaço digital, onde a agressividade verbal e a injúria nas redes sociais tentam calar as vozes dissonantes através do medo.

Perante a ambição desmedida destes projetos - desrespeitando a FAO e a vontade da população - e a agressividade desta engenharia social, resta-nos a firmeza dos que sabem o que defendem. A resposta a esta afronta transfronteiriça exige um levantamento que ecoe de Norte a Sul de Portugal, na Galiza e em todo o Estado Espanhol. Fazemos um apelo direto e veemente às nossas casas regionalistas e associações da diáspora nos grandes centros urbanos: recusem as migalhas do patrocínio extrativo, honrem a vossa história e mobilizem as vossas comunidades. Convocamos os transmontanos de fora, os movimentos sociais e os nossos irmãos espanhóis a convergirem em massa no Grande Acampamento no Barroso, entre 6 e 10 de agosto, promovido pela associação Unidos Em Defesa de Covas do Barroso. É nas nossas montanhas que se defende a dignidade da nossa herança. Porque no Alto Tâmega e Barroso, a divisa coletiva permanece inalterada face à opressão:

Antes quebrar que vergar.

Sigam estas páginas:

Movimento Não às Minas - Montalegre
Unidos Em Defesa de Covas do Barroso

 ©Teresa A. Ferreira, 30-06-2026, 19:01 



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