Manuel Igreja

Manuel Igreja

Como Matar o Vírus

Confesso que estou perante um dilema. Não é meu costume, mas sinto-me indeciso, mesmo muito indeciso sobre que remédio tomar caso venha a ser infectado pelo vírus maldito que anda por aí à solta que nem cavalo com o freio nos dentes.

Sucede que há coisa de duas ou três semanas visualizei um vídeo onde um homem a chegar à meia idade e com ar de quem não apanha uma nova piela porque anda sempre com a mesma, a dizer que o remédio para matar o invisível, mas maldito ser, é enfiar uns bons bagaços pela goela e deixar que na passagem até ao estômago o líquido dê conta do maldito.

Obviamente que a quantidade importa e como sempre vale mais prevenir que remediar, estou em acreditar que nada melhor e que se recomenda pelo menos uma garrafita por dia. Caso uma pessoa comece logo pela manhã o ataque com dois figos secos e um ou dois cálices, é tiro e queda. Arruma-se a coisa em três tempos.

Como me pareceu que o homem estava de boa vontade e com o único intuito de ajudar, mas também porque garantiu que semelhante conhecimento lhe adveio do seu avô, dei por mim a considerar como viável a possibilidade, até porque como bem sabemos, a sabedoria popular muitas vezes responde a problemas aos quais nem o mais pintado dos cientistas dá solução.

Mas agora, suspendi e surgiu-me uma dúvida e um não saber por que caminho seguir. Acontece que vi na televisão o nosso conhecido senhor Trump afirmar a pés juntos que o melhor para se curar a maleita é uma pessoa aquecer muito o corpo, beber lixívia ou injectar um desinfectante cá para dentro em jeito de quem lava por exemplo uma pipa de vinho.

Não se terá lembrado, mas caso uma pessoa coloque umas correntes dentro da barriga e se balance depois, muito mais eficaz será a medida. Diz o senhor presidente lá dos americanos, que não demora mais do que um minuto a fazer efeito. Nem dá tempo para o desgraçado, o alma diabo, se aperceber do que lhe acontece.

Suspeito que nem um nem outro remédio nos vão ser prescritos ou sequer recomendados, porque existem interesses escusos e muito poderosos por detrás disto tudo. Há sempre e não era agora que ia deixar de haver. A gente bem sabe. Eles é que pensam que nos enganam. Querem dar cabo da economia, é o que é.

Que o diga o Bolsonaro que é fino que nem um coral e segue no rompe e rasga, porque lhe foi garantido não haver problema por um punhado de bispos do mais ilustrado que há nas seitas e ele fia-se. Garantias são garantias, muito mais quando aludidas por insignes representantes de Deus na terra. Para alguma coisa há-de servir o canal direto ao seu dispor.

Neste ponto da situação, eu estou mais inclinado em ir pela recomendação do homem do bagaço. Fio-me mais nele e tenho o produto mais à mão de semear, e por caso até não desgosto, bá! O homem é quem chamam Donald, não se me afigura como fiável. Não sei, com aquele cabelo…

Depois, tem todo o ar de quem se perdeu no deserto e apanhou muito sol na moleirinha. Já os antigos diziam que isso estorrica os miolos e acelera a estupidez.

Por isso, olhem, vamos a um calicezinho logo depois do jantar. Pode não fazer nada, mas também não mata. À nossa! Morra o vírus. Pum! Pum!


Partilhar:

+ Crónicas

Baralhar e tornar a dar

O Catar e o catano

O Douro e a escala

A Bedford

A Mulher duriense

O pacote e os tolos

Voar

Os Sonhos

O País de um dia...