Embora existam outras redes sociais, é sobre os posts do Facebook que me vou debruçar, pois, tenho a perceção de que é aí que se gera maior celeuma.
Os posts quando utilizados com critério, podem ser úteis para transmitir informação: condições meteorológicas, encontrar amigos, partilha de parabéns, necrologia, alertas de fiscalização, entre uma infinidade de outras comunicações.
Temos os que utilizam o post para a auto promoção. E está no seu direito. Quem não gosta, passa à frente. Todos têm o direito de no seu perfil colocar o que lhe aprouver. Fica uma nota: não publiquem viagens a decorrer.
Os posts servem ainda para a crítica construtiva e o debate saudável, pilares essenciais de uma sociedade democrática. Silenciar, descredibilizar ou atacar quem questiona não fortalece a verdade, apenas enfraquece a transparência e o diálogo.
A denúncia num post é um ato de justiça e responsabilidade cívica, não é vingança nem fruto de inveja. Denunciar é defender princípios, proteger o bem comum e exigir transparência.
Um post também pode servir de alerta: chamar a atenção para um comportamento possivelmente irregular, informando que alguém está a ser observada. Trata-se de um aviso preventivo, não de uma condenação.
Quando o post assume carácter de acusação, significa que existem indícios ou provas concretas. Tal atitude implica responsabilidade, seriedade e a disponibilidade para responder pelos factos apresentados.
Dizer a verdade não merece insultos nem ataques pessoais. O confronto com factos pode ser desconfortável, mas não justifica desrespeito ou agressividade. Mas, o direito à defesa.
O post a evidenciar discordância de opinião não deve transformar-se em ataque ao mensageiro. Debater ideias exige maturidade, argumentos e respeito, mesmo na ausência de consenso.
Os perfis falsos revelam ausência de coragem para assumir a própria voz ou carência de provas sólidas. Ainda assim, podem sinalizar suspeitas que merecem atenção, mas nunca substituem factos, identidade assumida e responsabilidade. Têm o risco de rotular injustamente o visado e, frequentemente, são criados para atacar quem denuncia ou defender o indefensável. Por outro lado, tal como as denúncias anónimas ao Ministério Público, podem promover investigações.
Surge ainda a discussão sobre o impacto das redes sociais na formação dos mais jovens. Mais do que debater proibições, importa questionar se estas plataformas são verdadeiramente ferramentas de crescimento ou se interferem excessivamente no desenvolvimento emocional, social e crítico das crianças e adolescentes. A exposição constante a conflitos, validação através de “gostos”, desinformação e padrões irreais pode moldar comportamentos e valores de forma profunda. As redes sociais aproximam, mas também pressionam, influenciam e, muitas vezes, distorcem a perceção da realidade num período particularmente sensível da vida.
Um elemento determinante neste fenómeno é o algoritmo do Facebook, que não funciona de forma neutra. A plataforma privilegia conteúdos que geram reações intensas — indignação, polémica e conflito — porque são os que “vendem”. Assim, publicações serenas e informativas tendem a ter menor alcance, enquanto ataques, acusações e discussões acesas são amplificadas. Este mecanismo cria bolhas de opinião, reforça posições extremadas e distorce a perceção da realidade. Trata-se de uma forma subtil de manipulação através daquilo que é promovido e ocultado no fluxo de informação.
Por inúmeras razões, pessoas educadas e bem formadas perdem a civilidade e transforma-se em seres irracionais. Faz-me lembrar o futebol, onde muitos vão aos jogos apenas para se comportarem como autênticas bestas.
Há algum tempo escrevi um artigo defendendo a criação, — à semelhança do que já acontece noutros países — da figura do Provedor das Redes Sociais: um órgão independente que promova mediação, fiscalização e proteção dos cidadãos no espaço digital, garantindo equilíbrio entre liberdade de expressão, verdade, responsabilidade e respeito.