Baptista Jerónimo

Baptista Jerónimo

Parque da Cidade de Bragança (R)

(Reescrito após cinco anos e meio - a necessidade e a ideia mantêm-se)

Ninguém se poderá opor a um equipamento desta natureza-. No entanto, ao ser em Bragança, não poderá, por exemplo, ser uma réplica ou uma aproximação ao de uma cidade de média, ou grande dimensão do litoral. Isto porque as motivações e as necessidades da procura são diferentes, como é de fácil compreensão.

Fazendo já parte do guião de investimentos em várias cidades ou superamo-nos numa ou duas atrações diferenciadoras e verdadeiramente interessantes, ou então será apenas mais um equipamento, sem capacidade para gerar fluxo turístico.

O Parque da Cidade é sempre um local privilegiado como espaço de lazer, de educação ambiental, pratica desportiva e cultural. Deve também funcionar como um refúgio que garanta segurança, seja local de eventos e usufruto de espaços verdes, oferecendo tranquilidade, privacidade a quem apenas procura frescura e silêncio para ler, “arrumar ideias” ou escrever.

É suposto que disponha amostras de fauna e flora, sendo, no fundo, um espaço de divertimento aprazível. Para isso, é necessária água: lagos, charcas, riachos, espelhos de água. O parque ganha mais valor com a possibilidade de praia fluvial, árvores (muita sombra) e relva. Deve permitir piqueniques, marcha, corrida, bicicleta, aparelhos de ginásio, bem como ser um local onde se possa permanecer ao fim de semana ou durante as férias escolares, com atividades como desportos radicais.

Impreterivelmente, deverá incluir parques infantis, parque de merendas, polidesportivo (s), várias Instalações Sanitárias e opções diferenciadas na restauração.

Para eventos, faria todo sentido a existência de um Pavilhão Multiusos com dimensão adequada para acolher grandes acontecimentos – algo que Bragança reclama há, pelo menos, uma década.

Nunca se deve descuidar a localização. Esta deve levar em conta a cidade, preferencialmente o mais perto possível do centro geográfico, funcionando como verdadeiro pulmão do aglomerado populacional, com estacionamento amplo e funcional e fácil acesso às ligações rodoviárias.

Para Bragança, enquanto Capital de Distrito e concelho ancora para o Interior Norte, um Parque da Cidade deverá ter uma área a rondar os 60 hectares.

Pelo que conheço e percorri, apontaria a área do corredor verde do rio Fervença como a localização que reúne melhores condições: iniciar no Mosteiro de Castro de Avelãs, passar pelo IPB, dar especial atenção ao Polis (aproveitar para o reabilitar), descer ao lado do rio, evidenciando as escarpas, onde também seria diferenciador e gerador de fluxo turístico um teleférico até ao São Bartolomeu, o melhor miradouro da cidade e que valorizava a Cidadela.

Continuar pela Casa da Seda, Centro de Ciência Viva e as Muralhas do Castelo (com sinalética adequada de acesso à Cidadela, Castelo e Domus Municipalis), prosseguindo até à “antiga” ETAR (entretanto deslocada ou camuflada e em funcionamento).

Dessa forma, a Cidadela poderia ambicionar a classificação de Património Mundial pela UNESCO. Seria o investimento perfeito para integrar definitivamente o rio Fervença na cidade, intervindo de forma eficaz na sua despoluição, que a “todos” nos envergonha e incomoda. Criar algumas pontes-açudes com aproveitamento de desporto não motorizado, pesca, produção de energia elétrica e praias fluviais, bem como uns passadiços junto ao rio e aproveitamento dos prados para manter os animais autóctones.

Em contraponto, o local onde o parque parece estar “pensado”, num extremo da cidade, sem água e sem dimensão, nunca será o Parque da Cidade que Bragança merece, mas apenas mais um jardim. Infelizmente, continuamos a não pensar no futuro e a brincar ao jogo do faz de conta.

Continuando a pensar em Bragança como Capital de Distrito e concelho âncora do Interior Norte, para esta dimensão desejada, na Quinta da Trajinha, pela sua localização e orografia, seria um espaço ideal, por exemplo, para um Centro de Estágios Desportivo.

Bragança, 31/07/20

Baptista Jerónimo


Nota: o projeto deve ter uma abordagem global, sendo a sua execução faseada de acordo com as possibilidades existentes. Trata-se de um projeto a implementar ao longo de dois a três mandatos.

Deverá ainda incluir a reabilitação do Jardim António José de Almeida, a Praça Camões, Praça da Sé e a Rua da República.

Reescrito após cinco anos e meio - a necessidade e a ideia mantêm-se.



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