Baptista Jerónimo

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O “tempo” dos partidos em Portugal

Entre a história, o presente e o futuro, os partidos políticos portugueses posicionam-se de forma diferente: uns vivem presos à memória; outros ao presente sem passado nem futuro e ainda aqueles que agem como se não houvesse futuro. O país, porém, precisa de quem saiba conjugar os três tempos na política e saibam acompanhar o calendário real da sociedade.

Um partido responsável tem de saber distinguir a história, do presente e do futuro. A história dá credibilidade ao presente. O presente, pela avaliação e pela ação, faz história. O futuro revela a capacidade de análise, a adaptação e intervenção. Neste tem de haver estratégia de governação do País, com o objetivo de promover o bem comum.

A história é património e memória, legitima ou pesa sobre a identidade de cada força política. É dela que garante a linha orientadora, que dá garantias e credibilidade.

O presente é o palco onde se testam lideranças e se aferem soluções concretas, onde o conhecimento adquirido e a experiência acumulada se transformam em execução, com métricas, correções e prestação de contas.

O futuro exige visão, estratégia, leitura das transformações sociais desde a tecnologia à demografia. Capacidade de propor rumos adaptados ao momento e sobretudo, adaptabilidade às causas, às necessidades e aos anseios das pessoas.

Hoje, os partidos portugueses vivem estes três tempos forma desequilibrado. O PCP permanece preso a uma história que não consegue atualizar; o BE oscila entre a crítica permanente e a irrelevância quando se pede construção. O LIVRE ainda está à procura de saber como e onde se posicionar. O PAN não tem ideologia, mas duas causas. O PS parece exausto, mais focado em gerir equilíbrios internos do que em dialogar com as novas gerações. Não faz jus ao papel que teve na construção e guardião da democracia, da presença nas grandes conquistas e no desenvolvimento que nos trouxe até aqui. O PSD procura afirmar um caminho de governação, mas nem sempre acerta no tom entre ambição e prudência. Está refém de dirigentes que não honram o passado e não dão credibilidade no futuro. Veem o exercício da governação na perspetiva de mostrar poder, de alimentar os partidários sem importar como. O CHEGA, pelo contrário, cavalga o momento: comenta tudo, critica tudo e molda a intervenção à perceção imediata da aceitação dos eleitores. Vive num presente permanente, sem responsabilidade pelo futuro. Capitaliza com eficácia, o descontentamento transversal. Beneficia de não ter desgaste de governação e pode apregoar: “deem-nos uma oportunidade e mudaremos Portugal”.

Dia após dia, os partidos que governaram Portugal acumulam descrédito junto dos eleitores. Os números falam por si: menos votos, mais abstenção. No vazio criado, ganham terreno, no caso a ritmo meteórico os que vivem desse desgaste.

Em suma, entre a nostalgia, a indecisão e o oportunismo instantâneo, falta em Portugal uma verdadeira política que saiba acompanhar, resolver e preparar uma estratégia que una as gerações. Precisamos de políticos capazes de separar o legado, liderar no presente com competência e coragem, e antecipar o futuro com uma estratégia que una gerações. Recordar, agir, antecipar: esta é a conjugação que o país merece.

Baptista Jerónimo, 14/09/25 


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