Baptista Jerónimo

Baptista Jerónimo

O inimigo é o tic… tac… tic… tac…

Num belo dia, num país de gente de bem, faminto de oportunidades e exigente de mudanças, ótimo cobrador de espectativas justificadas, acorda-se com esta criança nas mãos. Pela manhã, em frente ao espelho, pensa-se: pronto sou a esperança. Mas a esperança, cedo se percebe, vem com vários problemas.

Desde logo, o problema do tempo. O maior inimigo, que não se compadece com ninguém, não cede, não se vende, não se pede emprestado e não se compra. O temporizador não para, nem espera: tic… tac… tic… tac…

Com fragilidade, sem experiência, com o caminho armadilhado e sem companhia, como manter o barco a navegar e levar viveres a tanta gente faminta?

É que os alimentos esperados têm de ser mensuráveis, concretos, com forte poder nutricional. Os esfomeados estão fartos de histórias, dessas, que não enchem a barriga, ficaram enjoados. O virtuosismo tolera-se por pouco tempo e o intangível também não mata a fome. O que se pede é palpável: objetividade e visibilidade na polis. Porque as pessoas apenas creem e esperam, apenas naquilo em que acreditam. E quando o tempo passa, o poucochinho vira em nada e… volta a fome.

O que nos diz a experiência de vivência noutro tempo é que quem muito fala, aumenta a probabilidade de errar. Então a solução é entrar mudo e sair calado? Não. Mas impõe-se parcimónia. Usar a palavra no momento certo, no importante, para ser escutada, para não se tornar banal, para ser respeitada. Os adversários adoram quem fala muito, quem fala de tudo e de nada. Tomam notas, fazem uma súmula, aguardam com paciência. E, no momento certo, questionam, confrontam, pedem contas, apontam o dedo e julgam. Concluem: só paleio.

Tudo tem um começo. Nada de precipitações, mas a ação é inadiável. Desde logo, na organização, na estruturação. Dentro do possível contar com os melhores. Promover o empoderamento, acompanhado com achatamento para a organização ficar mais ágil e funcional. Ao diminuir a burocracia, aumenta a autonomia, a comunicação é mais rápida e segura. Não confundir com o downsizing.

Tudo debaixo do chapéu do planeamento para atingir o objetivo. Citando Peter Drucker: “O planeamento de longo prazo não trata de decisões futuras, mas sim do futuro das decisões presentes”.

O problema é que o longo prazo não entusiasma nem acalma os famintos. Há quem seja impaciente por cansaço e quem o seja por descrédito. Uns e outros querem ver, querem sentir e usufruir, querem resultados. Querem o melhor para… ontem.

Nada é urgente. Mas há atitudes que são importantes, que não podem ser proteladas. Porque, o tempo continua a ser o pior inimigo: tic… tac… tic… tac…

 Baptista Jerónimo, 20/12/25



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