Baptista Jerónimo

Baptista Jerónimo

Governos de 1974 a 2025

De 1974 a 2025

Uma breve resenha histórica sobre quem nos governou entre 1974 a 2025 assinalando os momentos económicos marcantes da atuação dos Primeiros-Ministros de Portugal.

Governos Provisórios (1974–1976)

Adelino da Palma Carlos: 16 maio 1974 a 18 julho 1974.

Governo muito curto, imediatamente pós-revolução. Economia em choque: greves, fuga de capitais, inflação já em alta após choque petrolífero de 1973.

Vasco Gonçalves: 8 julho 1974 a 8 agosto 1975.

 PREC: nacionalizações (banca, seguros, transportes, energia, grandes indústrias). Reforma Agrária, Controlo administrativo de preços e salários. Inflação dispara, investimento retrai, tensões externas.

José Pinheiro de Azevedo: 19 de setembro 1 de975 a 23 julho1976.

Tentativa de estabilização após 25 de novembro. Inflação muito elevada e défice externo crescente. A herança económica abre caminho ao recurso ao FMI (1977).

Governos Constitucionais (1976–2025)

Mário Soares (PS): 23 julho 1976 a 28 agosto 1978.

1.º Governo Constitucional em crise económica grave: inflação superior a 20% e défice externo elevado.

1977: 1.º pedido de ajuda ao FMI.

Alfredo Nobre da Costa (Independente): 28 ago 1978 a 22 novembro 1978.

Governo curto e instável, sem impacto económico relevante.

Carlos Mota Pinto (Independente): 22 novembro 1978 a 1 agosto 1979.

Estagnação económica, dificuldades externas persistem.

Maria de Lourdes Pintasilgo (Independente): 1 agosto 1979 a 3 janeiro 1980.

Governo de transição, com foco social, mas sem resolver problemas estruturais mantêm-se.

Francisco Sá Carneiro (PSD – AD): 3 janeiro 1980 a 4 dezembro 1980.

 Programa liberal. Inflação ainda alta (+/- 20%), efeitos do choque petrolífero. Governo interrompido pelo acidente de Camarate.

Francisco Pinto Balsemão (PSD – AD): 9 janeiro 1981 a 9 junho 1983.

Economia degrada-se: inflação persistente, défice externo insustentável.

1983: 2.º pedido de ajuda ao FMI.

Mário Soares Primeiro - ministro e Mota Pinto Vice-Primeiro-ministro (PS e PSD - Bloco Central): 9 junho 1983 a 6 novembro 1985.

Aplicação do programa FMI: austeridade, cortes salariais, contenção da despesa. Recessão, mas estabilização macroeconómica. Preparação da adesão à CEE, agora UE.

Aníbal Cavaco Silva (PSD): 6 novembro 1985 a 28 outubro 1995.

Entrada na CEE (1986). Crescimento económico forte com fundos estruturais expressivos, privatizações. Inflação controlada.

António Guterres (PS): 28 outubro 1995 a 6 abril 2002.

Consolidação orçamental para Maastricht.

1999: entrada no Euro em 2002.

Crescimento inicial, depois estagnação no final do mandato.

Durão Barroso (PSD): 6 abril 2002 – 17 julho 2004.

Estagnação económica, défice elevado. Regras do Euro começam a apertar. Fuga para a Europa.

Pedro Santana Lopes (PSD): 17 julho 2004 a 12 março 2005.

Governo instável, sem reformas estruturais.

José Sócrates (PS): 12 março 2005 a 21 junho 2011

 Grande investimento público (rodovias, energias renováveis, …).

 Forte endividamento público e externo. Choque subprime 2007 a 2008, crise da dívida soberana de 2010 a 2011.

 2011: 3.º pedido de ajuda ao FMI, Comissão Europeia e BCE (troika)

Pedro Passos Coelho (PSD): 21 junho 2011 a 26 novembro 2015.

Execução do programa da Troika (FMI, BCE, CE). Programa de assistência de cerca de 78 mil milhões de euros

Austeridade: cortes, impostos, privatizações, reforma no mercado de trabalho.

Recessão até 2013 e depois recuperação económica.

António Costa (PS): 26 novembro 2015 a 2 abril 2024.

Retoma económica muito baseado no turismo.

2019: 1.º excedente orçamental da democracia.

2020: pandemia, forte recessão.

2021: lançamento e retoma com PRR e fundos europeus.

Luís Montenegro (PSD): 2 abril 2024 a ……

Problemas estruturais: baixos salários, acentua-se a desertificação do interior, continua a dependência do turismo.

Em 2025, crise política e escrutínio acrescido em torno de alegados conflitos de interesses (“caso Spinumviva”); o Governo cai, seguem-se eleições antecipadas e nova formação governativa. Problemas estruturais mantêm-se: produtividade e salários baixos, demografia, desertificação do

Interior, elevada dependência do turismo.

Nota em jeito de conclusão.

A história política, com reflexos diretos na económica recente de Portugal, revela alguns avanços claros e importantes no nosso desenvolvimento, sem eles, estaríamos hoje piores. É de realçar a integração europeia, estabilização da macroeconomia e a consolidação orçamental. Persistem, contudo, fragilidades: a produtividade, demografia, desigualdades territoriais e o investimento seletivo. As reformas não saem de intenções: Justiça, Educação e o SNS mostram sinais de degradação. No entanto, o saldo destes cinquenta anos é positivo, pelo que não deve ter condenação nem euforia: pede um convite à responsabilidade.

Responsabilidade para quem governa: planeamento com métricas, calendarização objetiva e de igualdade na decisão; avaliação independente das políticas públicas; transparência nas decisões; prioridade inequívoca à coesão territorial; e à qualificação e valorização do trabalho.

Responsabilidade para quem elege: exigir contas, ler programas, separar promessas de metas verificáveis e premiar quem cumpre.

Se a história “vale por ela”, o seu valor maior está no que nos obriga a aprender. Portugal precisa de ambição com método: reformar sem sobressalto, investir sem deslumbramento e crescer sem deixar territórios para trás.

O passado não se altera, o futuro dependerá depende tanto da competência de quem governa como da exigência de quem vota. Só assim construiremos um país mais justo, mais produtivo e mais equilibrado.

Baptista Jerónimo, 07/09/2025 


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