Luis Ferreira

Luis Ferreira

Uma corrida de fundo

Está prestes a começar mais uma corrida que ditará os vencedores com direito a poltrona dourada e com mordomias impensáveis. Próprio dos vencedores!
Antes porém, há que escolher os atletas que podem participar na corrida, até porque sendo ela uma corrida tão importante, é necessário saber quem poderá aguentar tão longo percurso até à meta. E aqui é que surgem as dificuldades. A primeira aliás, de muitas outras.
Estando ainda a meta um pouco distante, pois Bruxelas não é propriamente já ali, os partidos ainda andam a escolher os que dão mais garantias de vitória e isto levanta problemas a todos os partidos, menos um, já que o BE apresentou já a sua candidata. Não teve de escolher muito! O mesmo não acontece com o PS, por exemplo onde dentro do próprio partido se levantam vozes altamente críticas contra o secretário-geral pelo facto de ainda o não ter feito. E porque o não fez? Claro que a resposta está na indecisão de Seguro e na cisão que isso pode trazer ao seio do partido socialista. Aliás já trouxe, pois as vozes que se levantam sugerem umas, Costa, outras Vitorino, outras até Sócrates, e ainda outras que estão no segredo dos deuses. Enfim! Não há ainda escolha definida pelo que a polémica continuará durante mais algum tempo, o que, logicamente, desgasta o partido socialista e os seus apoiantes.
Mas também o PSD está na mesma posição. Sabemos que irá haver uma lista conjunta dos partidos do governo, mas ainda ninguém sabe quem a vai liderar. Isto levanta igualmente vozes perante a indecisão de tais escolhas. Claro, uma corrida de fundo desta envergadura, requere corredores muito conhecidos e bem preparados. Não há lugar a falhas.
Mas a escolha torna-se difícil também porque os que ganharem recebem um estatuto que não está ao alcance de todos e condições verdadeiramente únicas. Para quem não sabe, um deputado europeu ganha 6.320,00 euros por mês. Isto não é tudo. Recebe mais 350,00 € por dia nos dias em que tem reunião e que está efetivamente no Parlamento Europeu. Quando viaja tem as viagens pagas e subsídio de alimentação. Recebe ainda mais cerca de 350.000 € mensais para despesas de representação e para pagar ao seu staf ou para serviços e estudos, se os tiver de fazer. Os seus filhos estudam gratuitamente nos colégios portugueses em Bruxelas. E podem reformar-se aos 63 anos podendo receber até 70% do seu vencimento como deputado. Pois, assim todos gostariam de ocupar o lugar neste Parlamento que governa, ou não, toda a Europa comunitária. Quem não gostaria?
Assim, é necessário saber escolher alguém que possa ganhar e dar garantias de saber estar no meio dos que representam ao mais alto nível, os seus países e governos. Resta agora saber se a escolha se torna difícil por haver demasiados que saibam ocupar o cargo, poucos que o saibam ocupar ou muitos interessados em usufruir de tão elevadas mordomias sem se importarem muito com os partidos que os propõem. Sendo uma corrida, ela é tão séria como qualquer outra e o prémio será entregue logo após a vitória. Todos anseiam por ele.
Perante toda esta incerteza dos partidos na escolha dos seus corredores de fundo, é natural que haja algum frenesim nos possíveis interessados ou nos que pensam que podem ser elegíveis. E se todos tremem de ansiedade, como estará o coração dos líderes partidários que têm de escolher os candidatos e elaborar as listas? Ainda alguém vai parar ao hospital.
Os portugueses não podem queixar-se muito dos representantes que têm ocupado os seus lugares no Parlamento Europeu. De facto, desde o Presidente Barroso até aos vários deputados, ainda que poucos, têm sabido digerir bem a turbulência europeia. Integrados nas suas famílias europeias, lá se vão desenrascando como podem e levando a voz deste Portugal até ao seio desta Europa tão dividida. Sim, porque de união, o nome ainda vai tendo mais poder do que o resto!
Vamos esperar agora que a corrida comece e que os corredores se aguentem e sejam escolhidos os que melhor poderão representar este país e os seus interesses, pois bem precisamos. E que o difícil se torne fácil!


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