Desde o início dos tempos que os seres humanos trocam o que têm de sobra pelo que lhes falta. Foi começo do comércio que lhes passava ainda ao lado no seu significado mais apurado. No entanto, isso era a base da sobrevivência e de alguma produção, sempre necessária, para ter os produtos para troca. Depois das trocas de uns produtos por outros, inventaram a moeda, sempre de mais fácil manuseamento para a compra e venda dos produtos, fosse nas feiras, fosse em grandes mercados internacionais. O homem inventava à medida das suas necessidades. E foi sempre assim até aos dias de hoje.
Porém, a ambição de uns, sempre maior que a de outros, levou a subterfúgios e artimanhas de toda a espécie para que os ganhos fossem cada vez maiores, recorrendo a enganos, corrupção e fraudes terríveis.
Na cena internacional, hoje é o que verificamos e não ficamos espantados, pelo menos alguns, como os líderes de grandes países conseguem lograr os seus intentos através desses processos. É o que se passa entre o Presidente americano e o russo. Parecem namorar secretamente os arranjinhos das eventuais trocas entre ambos, sem que os produtos nem sequer lhes pertençam. Como é possível?
De facto, a corrida para a paz entre a Rússia e a Ucrânia, está a ser negociada, como sabemos, entre os dois líderes, os verdadeiros interessados. Um, porque quer vangloriar-se de mais uma guerra a que põe fim, outro clamar vitória por ter ganho território ucraniano, resultante de uma guerra assassina e sem razão, que ele próprio provocou. Uma questão de trocas, vantajosa para os dois interessados, mas onde o verdadeiro prejudicado e interessado, nem sequer é chamado a terreiro. O que têm a perder tanto Trump como Putin? Nada, a não ser o líder russo que já perdeu um milhão de soldados, o que para ele não conta, pois foi carne para canhão a que não presta grande atenção.
Não passa ao lado deste negócio, o facto da Federação Russa estar com a economia desgastada e fazer um esforço tremendo para aguentar a guerra por mais algum tempo. Isto, é um dos fatores para que o negócio tenha um desfecho rápido. A Rússia não aguentará muito mais esta guerra. No entanto, do mesmo modo, também a Ucrânia não poderá suportar este esforço por muito mais tempo. A destruição é enorme e o número de mortos é desmesurado.
À margem de todo este imbróglio, Trump e Putin continuam a debitar pontos para uma discussão quase sem sentido, mas que leva Zelensky a tomar posição sobre o assunto e até já estar disposto a levar a referendo a possibilidade de perder território para a Rússia e mesmo ir para eleições. Trump ameaça, Putin ameaça e Zelensky não tem força para ameaçar porque os países europeus deixaram-se adormecer e continuam adormecidos, com medo de enfrentar os EUA. Será razão suficiente? Trump já ameaçou abandonar a defesa da Ucrânia, mas e o negócio? Como ficariam as possíveis trocas já agendadas e secretas entre os dois? Claro que Trump não ficará com território ucraniano, mas as tão mencionadas terras raras, interessam tanto aos EUA como à Rússia. Putin não quer dar a cara diretamente neste conflito limitando-se a impor os seus objetivos, que ele vai manobrando a seu favor com Trump que se deixa enfeitiçar sem sabermos bem porquê! Ambos sabem que a questão territorial não é negociável, pois a Constituição ucraniana não o permite. Daí Zelensky propor eleições e um referendo sobre o assunto. Isto para a Federação Russa seria bom se o tempo não fosse escasso, pois Putin pretenderá arranjar um candidato pró-russo, que possa ganhar e manobrar futuramente, como o faz com o presidente da Bielorrússia. Era a segurança que pretende e a vitória para apresentar ao povo russo, justificando os milhares de mortos caídos no campo de batalha. A realidade parece um pouco diferente, mas o que hoje é verdade, amanhã poderá ser mentira.
A passividade da UE perante este pressing, é bem demonstrativa da pouca importância que, tanto Trump como Putin, dão ao assunto. A Europa não é tida nem achada neste negócio, por mais que Zelensky chame à mesa de negociações os mais importantes líderes e imponha como condição a sua participação na segurança futura da Ucrânia. Putin desvaloriza e até ameaça a Europa, sobre as tomadas de posição sobre o assunto. Nem um nem outro dão à Europa qualquer importância. Aliás, Trump, por influência de Putin, pretende dividir os países europeus e destruir a UE para assim poderem manobrar e negociar o que lhes interessa. Será que a Europa vai deixar? Vai continuar a ser naïve? Não me admira.
Como sempre aconteceu e vai continuar a acontecer, as trocas irão processar-se de acordo com os interesses de cada parceiro, desde que o lucro seja o objetivo comum. Neste caso, como nada há a perder, tanto americano como russo, vai-se tentando trocar o que é dos outros. Assim só um perde. É um jogo difícil, parecido com o Monopólio. Enfim!