Abeiramo-nos do tempo de eleições e já todos os partidos se movimentam para tentar passar mensagens de agrado e convencimento sobre propostas que poderão ser aceites mais ou menos facilmente por quem as ouve.
Estamos todos fartos de promessas, diz o povo e com alguma razão, pois elas ficam sempre no saco do esquecimento ou agendadas para novos momentos onde serão jogadas como trunfos de uma cartada a vencer. Isto não impede os partidos, sejam quais forem, de prometer e de lutar pelas suas propostas que gostariam de ver executadas. No entanto, como só um dos partidos poderá ser o executor e gestor das suas próprias ideias, caberá a ele levar por diante, ou não, esses mesmos compromissos.
A azáfama eleitoral é uma festa onde as bandeiras partidárias e a música de fundo serpenteiam pelas ruas e ruelas dos burgos trazendo a terreiro os que querem ver a banda passar. Prendas de todas as espécies são oferecidas embrulhadas na promessa de um voto cego que nunca se chegará a ver.
Em todos os municípios do país o arraial é o mesmo e o colorido não é diferente, pois os partidos são os mesmo, com os mesmos adereços e a mesma música partidária. Pode diferir a música popular de arraial, pois terá de se adequar à região e ao gosto mais intenso de quem ouve. São as sensibilidades regionais que vêm ao cimo e se impõem normalmente. A par de tudo isto, soa estridente o altifalante onde a voz rouca de quem se quer fazer ouvir, desfila as ideias e as paragonas eleitorais juntamente com algumas promessas prometedoras com a finalidade de que alguma coisa fique na cabeça de quem por ali ande. Enfim, sempre o mesmo.
Esta campanha eleitoral que agora começou, enferma já de um desconhecimento regional atroz por parte de alguns candidatos ou pela pobreza de ideias e até mesmo de promessas. E como se pode prometer alguma coisa se não se conhecem as necessidades locais ou se o candidato nem sequer é do concelho ou não vive lá? Infelizmente é o caso de alguns candidatos deste país e até do nosso concelho de Bragança.
Nos variados debates que tiveram lugar entre os candidatos dos diferentes partidos, as ideias foram tão escassas e algumas tão despropositadas que deixaram os eleitores completamente indecisos sobre quem deveriam escolher para ser o próximo presidente do Município. Para além do candidato do Chega que nem sequer é do concelho e desconhece completamente a realidade da cidade, os outros deixaram-nos tantas interrogações como as que havia antes desta campanha começar. O desconhecimento de algumas matérias foi tão evidente que permitiram-nos pensar como se podem fazer propostas sobre o que se não conhece e quais os objetivos das mesmas. Por outro lado, como se pode criticar antigas propostas que não foram levadas a efeito e agora voltar a apostar nas mesmas sabendo que são inviáveis? Cavalos de batalha somente para enfeitar o campo da luta. Isto não leva a nada e muito menos a tornar exequíveis tais propostas.
É claro que todos gostaríamos de ver a estrada que liga à Sanábria ser uma realidade. Mas também sabemos que a mesma não será feita nos tempos mais próximos porque não interessa nem a Espanha nem a Portugal. Só interessa à população de Bragança e nós pesamos muito pouco no contexto nacional. Seria bom, do mesmo modo, ver o Aeródromo de Bragança tornar-se num aeroporto regional. Claro que sim. Eu já tive ocasião de fazer essa proposta nos anos 80. Seria uma plataforma que serviria o Nordeste e também Espanha, mas nessa altura havia muita população de um e outro lado da fronteira. Hoje não interessa a ninguém. Deste modo não serve de arma de arremesso e muito menos de promessas políticas que jamais serão concretizadas.
Temos de ter consciência de que as nossas aldeias estão desertificadas e que sendo a maioria dos habitantes já idosos, não se comprazem com promessas dessas e nem a poderiam utilizar se fossem viáveis e concretas. O dia a dia do município vive momentos de outra ordem e não adianta prometer trazer para cá mais população ou enraizar a que cá está, porque isso também não se consegue com a construção de polivalentes, de rodovias e de aeroportos ou até mesmo de mais serviços de educação ou até de saúde. Temos escolas suficientes e funcionais e temos um Hospital que é considerado dos melhores e com melhores serviços em Portugal. Diversificar os serviços de saúde e assistência pelas aldeias, isso sim, seria uma mais valia para quem não se pode deslocar à cidade e aos Centros de Saúde. Mas mesmo este aspeto não depende somente do Município como aliás, os candidatos deveriam saber.
Afinal, nas campanhas promete-se tudo e mais alguma coisa, mas na realidade nada se tem para oferecer a não ser efetivamente promessas. A realidade é bem diferente e a política ainda não aprendeu isso. O caminho é sinuoso, cheio de barreiras e precipícios. Oxalá ninguém caia num deles.