No vertiginoso rodopiar diário deste nosso planeta em torne de si próprio e à volta do Sol, não nos damos conta da velocidade a que giramos e nem nos perguntamos por que razão não ficamos todos tontos. Na verdade, não ficamos e isso deve-se às leis que regulam os planetas, as suas órbitas, a atração entre planetas e a sua posição no espaço, entre outras coisas.
A verdade é que para ficar tonto não precisamos de pensar no girar da Terra já que o que vai acontecendo pelo mundo e cá por casa, basta bem para nos confundir os neurónios.
O corre corre da política nacional é bem a prova de que nada está bem. Ou seja: para uns as coisas até não estão mal, para outros estão assim assim e ainda para outros não têm ponta por se onde pague. Aliás, o normal dos nossos partidos. Também se todos estivessem de acordo, não havia oposição e estaríamos no país das maravilhas. Contudo, sabemos perfeitamente, que o trabalho da oposição é estar contra o governo, seja ele qual for, mesmo que aqui e ali, possa estar minimamente de acordo.
Durante algumas semanas, a batalha tinha como sentido único, derrubar o Ministro da Administração Interna e com esse objetivo, o Chega ergueu a bandeira o mais alto que pôde, marcando a sua posição e jogando com trunfos que não eram dele, lançou para a mesa o Presidente da República e o PS, como se fossem as cartas mais importantes do baralho e chegassem para ganhar a batalha. Enganou-se.
Para não desistir da contenda, resolveu atacar de outra forma e apresentou uma Moção de Censura. Sabia de antemão que iria ser reprovada, mas não hesitou. Não teve razão ou não lha deram os outros partidos. Na verdade, não quiseram dar razão a Ventura e à raiva e à pressa que demonstrava em derrubar, não o governo, mas Luís Neves. Perdeu uma vez mais.
No meio desta baralhação total, o governo pela mão de Montenegro veio afirmar a sua posição inabalável e reafirmar a confiança no ministro, o que irritou sobremaneira Ventura. É verdade que Luís Neves se mantém firme, mas também é verdade que está a ser investigado pelo Ministério Público. Tem alguns processos de averiguação a decorrer e não sabemos a que solução vão chegar. Alguma coisa há de sair e não sabemos para já, quem vai ter razão.
Toda esta confusão em torno de Luís Neves e da revolta do Chega sobre o assunto, conduziu por tabela, ao Orçamento que terá de ser aprovado em breve. Esta batalha, que não se sabe quem vai ganhar, serviu e serve para argumentar as necessidades de apoios de alguns partidos para a aprovação do Orçamento. Com muita calma e parabéns por isso, José Luís Carneiro, tem entrado ligeiro e sem pressões sobre o governo a este respeito. Já Ventura ergue alto a bandeira da acusação e da corrupção contra o PS e contra a AD, para se fazer ouvir e influenciar o povo com toda a verbosidade de que é capaz. Terá razão? Ou não? O povo acredita?
Acredite ou não, o certo é que as sondagens dão vantagem ao PS e ao Chega sobre a AD. Deste modo, Montenegro está em apuros e não adianta dizer que desceu os impostos, subiu as pensões e subsidiou os combustíveis. O nível de vida está mais alto e o custo todos sentem, todos os dias e o povo é que paga e é natural que esteja contra o governo, daí as sondagens não serem favoráveis à AD.
Certo é que Carneiro já sorri e Ventura acena vitória e pretende com isso, encostar Montenegro à parede. Terá razão para isso? Ou será demasiado cedo para tirar ilações desse teor?
Admira, é verdade, as sondagens adiantarem que o povo quer Ventura para Primeiro Ministro, ainda que a uma distância mínima de Montenegro, mas nunca fiando. Ainda bem que Carneiro está à frente, se não ninguém segurava o Ventura.
Depois do primeiro debate parlamentar sobre o nível de vida, a pedido do PS, onde se discutiu tudo menos o que se devia, vem agora a CPI e o que vai determinar. A do Chega foi chumbada por má formulação, ao que parece. Mas Ventura não vai desistir e iremos ter outra. A que o PS aprovou irá noutro sentido, mas será menos polémica. Tudo se irá decidir tranquilamente se o Chega não fizer muito barulho. Aliás, Ventura perde a razão sempre que fala mais alto. Também é verdade que, desde que está a subir nas sondagens, está a falar com mais calma. Alguém o alertou certamente para esse aspeto e com razão.
Deste modo, entre os três ou quatro, quem terá razão? Vamos aguardar para ver.