Na voracidade que ao homem é atribuída, talvez pela vontade de conquistar ao próprio tempo o que o tempo não lhe consegue dar, ele obtém, contra o que seria desejável, o que lhe causa alguns dissabores. Assim tem sido ao longo dos tempos passados. Caminhando, tanto quanto possível, lado a lado com o tempo, ele conquista coisas importantes para o suposto avanço da humanidade.
Na verdade, as grandes descobertas feitas pelo homem, foram conseguidas quase à revelia do próprio tempo, mas pelo facto de que a necessidade aguça o engenho, como diz o povo. Contudo, quando se tenta imitar outros paradigmas e outras atuações e adaptá-las ao que pretendemos sem aprovar o seu funcionamento cabal, pode sair caro e completamente errado.
Isso tem acontecido no nosso país e especialmente no setor da educação. Nas últimas décadas, temos verificado sucessivas alterações ao modelo de educação e igualmente do próprio sistema, que tem levado a uma desorganização extraordinária e, concomitantemente, a greves dentro do setor com prejuízo para professores e alunos.
Cada vez que surge uma alteração com a suposta intenção de melhorar o sistema, vêm a reboque uma série de manifestações contra, sejam dos sindicatos, dos funcionários auxiliares ou dos alunos e professores. Algo não se adapta ao nosso sistema educacional. E acontece isto sempre que se tenta mudar o conteúdo das aprendizagens, o método de avaliação, os manuais e até os horários das diferentes disciplinas. Será que se pensa no que se deve? Não, definitivamente.
Querer avançar ao ritmo dos tempos, que são, supostamente, de avanço, não significa que dê certo. Se outros avançam aplicando novas tecnologias e novos métodos de avaliação, não significa que façamos o mesmo com a mesma pressa e determinação, pois as pressas, normalmente dão em vagares. Claro que não é errado querer avançar. É bom se for consciente e programado e não só uma clara imitação ou fazer porque outros também fazem. Faz-se sim, mas ao nosso ritmo, com o nosso tempo e depois de aprovado. O contrário é a certeza de errar.
É o que tem acontecido quase sempre na nossa Educação e no nosso Ministério e com os nossos Ministros. É curioso o facto de nenhum Ministro querer continuar o que os anteriores fizeram na Educação, pois acham que devem deixar a sua marca profunda no seu mandato e para isso, o que outros fizeram tem de ser alterado, esteja bem ou mal feito. O que é preciso é revolucionar!
Podemos acreditar na boa vontade de avançar com novos métodos e com as novas tecnologias, mas primeiro testem esses métodos e essas novas tecnologias. Podemos ter a tecnologias, mas também teremos de as saber manobrar e aplicar para que tudo saia bem. Não foi isso que aconteceu com os exames deste ano.
A pressa em demonstrar a aplicação das novas tecnologias de avaliação como algo extraordinário e reformador, acabou por se revelar um fracasso tremendo. Era desnecessário. A aplicação deste novo método poderia esperar perfeitamente até ao novo ano letivo e, entretanto, deveria ser experimentado até que tudo pudesse sair sem erros e fiável.
O senhor Ministro da Educação, um homem honesto e trabalhador, pecou na pressa de demonstrar trabalho à oposição e acabou por expor alguma fraqueza no contrato da empresa que não estava suficientemente avançada para a tarefa que lhe confiaram. Claro que é o Ministro que arca com as culpas, mas era desnecessário esse falhanço. O tempo podia esperar, ninguém perdia nada.
Neste momento, tanto o senhor Ministro, como a empresa, como o Governo, correm atrás do prejuízo. Há pressa em demonstrar que os erros são mínimos, embora não sejam, que os exames correram mais ou menos bem e que os alunos não saíram prejudicados, embora o contrário se prove, esperando que a segunda fase salve o convento. Não é fácil. Já há problemas.
Este ano ficou provado que correr atrás do tempo e pegar nos avanços que nos chegam sem prova provada, é um erro tremendo. As novas tecnologias são de louvar se forem boas e derem provas disso, mas aplica-las só para dar nas vistas e fazer glamour, não. Não pode haver pressa se queremos as coisas bem feitas. Correr ao ritmo dos tempos tem regras e há que as cumprir.