O andor da Senhora da Pena, em Vila Real, tem 23 metros de altura, pesa três toneladas e precisa de cerca de 100 pessoas para o erguer no domingo, para a procissão que culmina um ano de trabalho.

Este andor, o principal da romaria da Nossa Senhora da Pena, na União de Freguesias de Mouçós e Lamares, no concelho de Vila Real, integra desde junho o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.



No santuário, ultimaram-se por estes dias os preparativos para a procissão e são já muitos os devotos e curiosos que passam pela igreja para verem aquele que, por aqui, se diz ser “um dos maiores andores do mundo”.

Renato Alves, da comissão de festas de 2026, que este ano é da responsabilidade da aldeia de Alvites, disse à agência Lusa que o andor da Senhora da Pena tem 23 metros de altura, 12 de largura e pesa entre as três a 3,5 toneladas.

Salientou ainda que, para o erguer em ombros e o carregar durante o percurso de um quilómetro, são precisas mais de 100 pessoas.

A organização da festa em 2027 será feita pela aldeia de Pena de Amigo, pelo que, segundo manda a tradição, este ano serão os seus habitantes a carregar o andor "gigante".

O responsável adiantou ainda que se esperam entre as 40 a 50 mil pessoas no domingo, muitas excursões provenientes de várias partes do país, havendo ainda quem vá acampar no recinto da festa.


A procissão faz-se com um total de 12 andores de pano e três de flores e, na reta final, faz-se a “dança dos andores”.

“Parece que ganhámos força, custa sempre e é também a parte mais perigosa do circuito e em que as emoções estão ali todas à flor da pele, rodamos a santa para o mosteiro e faz-se a dança do andor [saltar] e depois de entrarmos no adro pousamos o andor”, contou Renato Alves.

Joaquim Fernandes, armador de Lousada, prepara há 35 anos os andores da romaria da Senhora da Pena.

É um trabalho que já era feito pelo seu avô, que aprendeu com o seu pai e que já ensinou aos seus filhos que o ajudam nesta e em outras procissões do Norte do país.

“Temos domingos que temos às seis, sete romarias”, afirmou à Lusa, considerando que a festa da Pena “é a maior” e a que “mais trabalho dá”.

A família está há vários dias na Pena a trabalhar, mas a preparação dos andores já começou há mais de dois meses.

“É muito grande e muito largo”, apontou, referindo que andam “todo o ano a preparar os tecidos para os andores” e que, no dia da festa, conta com a ajuda dos seus seis irmãos.

A estrutura de madeira do andor principal pertence à organização da festa, que é rotativa por 11 das aldeias da união de freguesias.

Depois, cabe a Joaquim e familiares ornamentarem o andor com tecidos e fitas de cores como o azul, amarelo e rosa e, este ano, muitos dourados também.

A estrutura do andor da Pena é de madeira e está separada em peças, que depois são encaixadas como um puzzle. Primeiro dentro da igreja onde é feita a sua ornamentação e, depois, no sábado à noite é novamente desmontado para ser retirado para o exterior e é ali, no adro, que é por fim erguido de novo.

Renato Alves assegurou ainda que é feita uma forte aposta na segurança. A preparação envolve a Proteção Civil e a GNR que mobiliza dezenas de operacionais para esta romaria.

Em novembro de 2023, a Câmara de Vila Real submeteu a candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial para valorizar e perpetuar a tradição e o anúncio da sua inclusão foi feito em junho.

“Esta inscrição vem proteger a tradição da Senhora da Pena, vem proteger o andor acima de tudo e ainda vem dar mais história àquilo que é esta festa. A nós dá-nos uma alegria enorme porque garantimos que os nossos filhos e netos têm esta tradição protegida”, afirmou Hélder Afonso, presidente da Junta de Mouçós e Lamares.

O autarca destacou que foi um passo importante em termos culturais e turísticos.

Esta não é, no entanto, uma manifestação cultural risco e a comissão de festas de 2026 é, para Hélder Afonso, precisamente um exemplo disso porque é constituída por vários jovens.

A romaria remonta ao século XVIII, mas a altura do andor resultou de um despique entre as aldeias organizadoras que, a cada ano, queriam superar a procissão anterior.

*** Paula Lima (texto), da agência Lusa , Fotos : António Pereira


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