Seis ‘workshops’ de olaria, concursos de fotografia e ilustração, aquisição de louça negra, exposições e documentários são iniciativas, em setembro, do projeto de salvaguarda do barro preto de Bisalhães e do andor da Senhora da Pena, em Vila Real.

Promovida pela Câmara de Vila Real, a operação “ação de salvaguarda do Património Cultural e Imaterial” inclui o barro preto de Bisalhães e o andor de Nossa Senhora da Pena.

A candidatura ao programa de fundos comunitários Norte 2030 tem um valor de 86 mil euros, comparticipados em 65%.

“Representa um investimento muito concreto na salvaguarda do nosso património cultural e imaterial”, afirmou hoje à agência Lusa a vereadora da Cultura do município de Vila Real, Mara Minhava.

O processo de fabrico das peças de barro negro de Bisalhães, em Mondrões, foi também classificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) em 2016 como Património Imaterial da Humanidade.

Já o andor remonta ao século XVIII, sendo considerado um dos maiores do país, com cerca de três toneladas, e precisa de mais de 100 pessoas para o carregar durante a festa da Senhora da Pena, em Mouçós, que decorre no segundo domingo de setembro.

É uma tradição que tem passado de geração em geração, envolve 11 aldeias e não corre risco de extinção, ao contrário do barro negro, que foi classificado pela UNESCO por necessitar de salvaguarda urgente.

Mara Minhava disse que, no âmbito da candidatura, o município lançou dois concursos de fotografia e ilustração para a valorização e promoção destes patrimónios culturais, pretendendo-se ainda trazer novos olhares para estas demonstrações culturais.

O concurso dedicado ao barro de Bisalhães terminou a 30 de julho e teve 61 participantes (14 de fotografia e 47 de ilustração) e o do andor da Pena termina a 16 de outubro.

Em setembro, realizar-se-ão seis ‘workshops’ e demonstrações por antigos e novos oleiros – Jorge Ramalho, Tânia Ló, Querubim Rocha, Sara Marinho, Constantino Fontes e Miguel Fontes - no Espaço D’Artes Jorge Marinho e nas escolas profissionais da Nervir e Agostinho Roseta, para mostrar às gerações mais novas esta forma de arte.

Mara Minhava disse ainda que vão ser adquiridas peças a todos os oleiros em atividade e que serão exibidas no futuro Museu da Louça Preta de Bisalhães, cuja obra já foi adjudicada, aguardando-se o início da empreitada.

Na candidatura está também prevista a reimpressão de obras como “Mãos que fazem Bisalhães”, Traz, Zás, Taz! – vamos ver como o oleiro faz” e “A Inês e a galinha pedrês que sabia contar até três e falava olarês", e ainda um jogo de cartas, bem como a produção de vídeos, exposições e documentários sobre o barro e sobre o andor da Senhora da Pena.

Em 2026 assinalam-se 10 anos da classificação do barro de Bisalhães pela UNESCO.

Nesta década, segundo Mara Minhava, conseguiu-se cumprir um dos pontos mais difíceis do plano de salvaguarda: a formação de novos oleiros.

Sete formandos terminaram um curso de longa duração e, desses, Tânia Ló e Sara Marinho dedicam-se à olaria e ajudaram a introduzir alguma modernidade e inovação na arte ancestral.

“Essa foi a parte mais difícil e eu acho que está conseguida. Depois, outra parte que nós procurámos fazer foi colocar outras artes a dialogar com o barro”, salientou a vereadora.

O barro atrai turistas a Bisalhães. Tem sido ainda feita uma grande aposta na participação de feiras nacionais e internacionais e um dos próximos passos passa pela certificação do barro negro.

Mara Minhava disse ainda que o município promoveu uma melhoria dos postos de venda, localizados numa das entradas da cidade, onde vai ser colocada eletricidade e água, e está a trabalhar em sinalética para colocar nas principais vias rodoviárias que cruzam esta região.

O processo de fabrico remonta pelo menos ao século XVI e inclui desde o tratamento inicial do barro até à cozedura em velhos fornos abertos na terra.





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