A diversidade de assuntos na última semana desviou-nos a todos do habitual e cansativo discurso sobre Trump ou sobre Netanyahu ou até sobre Putin.
Na verdade, a relação entre Trump e Putin com base na guerra da Ucrânia, já esteve melhor. A Rússia diz que está em pausa, enquanto Trump admite que a Rússia o está a irritar cada vez mais e que tem de pôr termo a esse impasse. Para além disso, nem um nem outro deram um passo para resolver a situação da guerra ucraniana e os ataques continuam de um lado e de outro. Por isso, nada de novo sobre este assunto, tirando o número de drones e mísseis que continuam a cruzar os céus dos dois países. Mas algo novo aconteceu na última semana. Drones russos invadiram o espaço da Polónia, um aliado da NATO. Este facto, levou a que a Polónia invocasse o artigo quarto da aliança.
A Rússia demorou demasiado tempo a justificar o acontecimento e no final nada justificou, pois disse simplesmente que não tinha nenhum plano para atacar a Polónia. Não tinha e é bem que não tenha. Isso não invalida que os países aliados não se reúnam para tomar uma decisão sobre o assunto. Não é a primeira vez que esse artigo vem à baila. Claro que pouco se poderá decidir sobre o caso, mas será sempre um aviso a Putin sobre com o que pode contar. Mas ele não se preocupa muito com esse lado da questão. A Europa, neste momento, pouco pesa nas suas decisões sobre a guerra. Ele brinca com a Europa e com os EUA, diga-se Trump, e faz o que bem entende, respaldado pelos amigos da Coreia do Norte e pela China, que vão sustentando o seu ego belicista.
Entretidos com as notícias sobre os drones russos em espaço polaco, íamos esquecendo um pouco o que se vai passando no Médio Oriente, onde Netanyahu continua na senda da destruição e morte para se poder manter à frente do governo de Israel. E, concomitantemente, quase passava despercebida a flotilha que se dirige para a faixa de Gaza levando alimentos e medicamentos muito necessários para os palestinianos. Passava despercebido se não acontecessem também outras anomalias como o ataque de um drone a um dos barcos onde, por acaso ou não, vão ativistas portugueses. O facto foi relatado por todas as televisões. Mesmo com vídeos que mostram que foi um drone a deixar cair uma bomba, há pessoas que mantêm a versão de que foi incêndio a bordo. Mas a flotilha lá continua o seu rumo preparando-se para o pior, mas esperando o melhor. Claro que Israel já os rotulou a todos de terroristas. Sinceramente!
Mas se de um lado temos o mesmo assunto da guerra da Ucrânia e do outro a guerra no Médio Oriente, o que já nos cansa, algo de novo chama a nossa atenção. O julgamento de Bolsonaro no Brasil que foi acompanhado pela comunicação social de todo o mundo, prendeu muita gente aos ecrãs de televisão e noticiários em horário nobre para saber como iria acabar. Os cinco juízes que se foram pronunciando cada um por sua vez, sobre o veredicto, chamaram a atenção de todo o mundo já que a pronúncia de cada um durou demasiado tempo e não foram ao mesmo tempo. Três deveriam ter a mesma decisão para que Bolsonaro fosse culpado ou ilibado das acusações. Foi condenado. Pela primeira vez um Presidente de um país era condenado e mandado para a prisão com uma condenação de mais de vinte e sete anos. O Brasil ficou dividido. Polarizado, como sempre foi, falta-lhe um centro que decida e defina a democracia como o rumo certo. Como dizem os brasileiros falta um centrão. Aqui, a justiça parece ter funcionado.
E quando tudo parecia resumir-se a estes acontecimentos que não são somenos, eis que um jovem americano resolve mostrar os seus dotes de sniper e mata C. Kirk, amigo de Trump e grande influenciador da direita americana. Quantos jovens já praticaram atos idênticos na América? Quantos atos deste género, aconteceram nas escolas americanas? Mas a verdade é que o impacto nunca foi tão grande. Porquê? Porque Kirk era amigo e correligionário de Trump o que levou o presidente a querer a pena de morte para o culpado. Então não exigiu a mesma pena para os outros porquê? A justiça deveria ser igual em casos idênticos. Parece que acabou por ser apanhado o suspeito, Tyler Robinson, e sem demora condenado a vinte e dois anos de cadeia. Não me lembro de uma tão rápida sentença ser aplicada na América. Dois dias! A justiça a funcionar, ou não!
Por cá, quase no fim de semana, saiu uma sondagem que arrepiou o povo português. O Chega, ultrapassou a AD e está em primeiro lugar nessa sondagem. Um arrepio tremendo. Ventura, com o Congresso à porta, vai querer segurar o seu eleitorado e, está disposto a candidatar-se à Presidência da República. Daqui, não vem mal nenhum à praia, já que não ganhará a eleição, mas o seu sonho para ser primeiro ministro vai continuar. Neste aspeto é mais difícil, pois há um bloco central disposto a fazer-lhe frente e a inviabilizar qualquer governo que dali possa sair. Mas tudo isto enche o seu ego de tal forma que só esperamos que não rebente. Haja justiça.