Manuel Igreja

Manuel Igreja

Que Estranho Mundo Este

Estranho mundo é este em que a nossa vida se vai desenvolvendo nos tempos de hoje em dia. Assombros e desmandos sucedem a todo o momento e em qualquer lugar. Mais parece que o mafarrico anda à solta por este planeta de Deus afora, espalhando malfeitorias que quase parecem próprias do fim dos tempos.

No nosso canto, Portugal, um dos melhores sítios para se morar apesar de estar muito mal frequentado. Por exemplo: Uns senhores muito bem-postos e muito cheios de si desgovernaram bancos e mais bancos durante anos e anos. Espatifaram tudo, fundinhos e fundões, e nada lhes acontece. Quem devia estar de olho atento, assobiou para o ar, enquanto compinchas e afins surripiaram milhões e milhões e… nada.

Os dinheiros estão escondidos, e os figurões dizem-se mais pobres que Jó, ainda que vivam quotidianos de nababos. Não se lhes vai à perna. Riem-se porque lho consentem e gozam-nos porque podem. O malfadado sistema bancário faliu, está muito periclitante, mas as vítimas do descalabro são as do costume. Sobra para os pequenos investidores e para os trabalhadores das instituições que na meia-idade para cima correm o risco de serem dispensados como criadas velhas sem préstimo.

No nosso querido país, roubaram-nos a esperança, fazem tudo para nos tirar a decência a troco de nada, já que ninguém nos garante que empobrecendo ganhamos pernas para andar. Pouca riqueza se cria, pouco se investe. Os mais ricos porque até nesses somos pobres, limitam-se a abrir grandes mercearias em todo o lado. Crescem e aumentam porque pagam salários mínimos exceto ao pessoal máximo, enquanto apertam o garrote aos agricultores e a outros fornecedores.

Na Europa, então nem se fala. Burocratas pagos a pedo de ouro, acomodados no aveludado dos gabinetes, pouco mais enxergam do que aquilo que está mesmo em frente do seu nariz. Não lhes interessa ver mais, para assim poderem garantir prebendas no presente e no futuro que lhes vai ser garantidamente risonho, salvo contratempos inevitáveis e próprios da condição humana que felizmente integram. Deus nos livre que fossem deuses mesmo que menores.

O Velho Continente não tem estadistas nem poetas que os possam cantar. A política não se exerce e a especulação financeira campeia e faz o que mais lhe convém. O investimento a sério é uma miragem, ou nem sequer isso. Os infindáveis recursos financeiros são aplicados na transação instantânea de bolas de sabão que muito dão a ganhar a uns poucos até que rebentem quando o sabão acabar causando enormes danos a muitos. Está visto, os de sempre.

Num tempo em que tudo podia ser mais fácil e melhor, tudo vai de mal a pior e com tendência para piorar. A geração que devia garantir o devir económico e social esbarra contra a parede. Os que deviam mandar não mandam, e não se interessam em escorraçar as aves de rapinas que esvoaçam sobre as ruínas da mais avançada e justa forma de civilização que está a ser desbaratada e destruída.
Nos Estados Unidos da América, para o bem e para o mal, o farol da Civilização Ocidental que é alvo da vontade de destruição por outras que se recusam a sair da Idade das Trevas, as coisas podemvir a complicar-se nos próximos meses. Por lá a idiotice de um despenteado mental de compreensão lenta e estupidez acelerada, vai ganhando terreno. Utilizando a demagogia e o medo como arma ao jeito de outros de más memórias, pode vir a ser eleito o homem mais poderoso do mundo.

Não sei. Mas que razões para o desassossego são mais que muitas, lá isso são apesar de a esperança dever ser sempre a última a morrer. Faço tudo para que ela resista. Quanto ao demo que nos quer atentar, espantemo-lo benzendo-nos com a mão esquerda. Funciona. A sério.


Partilhar:

+ Crónicas

O brilhozinho nos olhos

O Douro neste ponto

O Douro move-se

O Dia Inteiro e Limpo

A Cidade

Abandonados

A memória

A Democracia armadilhada

A Agricultura

Há lodo no país

Os Fundos