Manuel Igreja

Manuel Igreja

O silêncio

O silencio é um dom e é um tom. Um dom, porque na ordem das coisas da mãe Natureza que tantas vezes mais parece não ter ordem, nos é disponibilizado com todo o seu esplendor para nele ouvirmos os sons mais profundos nas veredas da alma. Um tom, porque como sabemos, uma pausa também é música quando esta ostenta o timbre dos anjos.

Não sei bem se o absoluto existe absolutamente, mas se existir, ele reside no silêncio, já que ele foi o que é antes de tudo o mais que há. Milionésimos de segundos antes da explosão inicial e inteira que sem medida deu lugar ao universo já o silêncio existia, quero crer, quiçá sem esplendor porque não havia termo de comparação.

Depois, foi-se deixando ocupar por sons e por tons. Por harmonias e por desarmonias. Mas ele continua. Só que quase se não escuta hoje em dia nos nossos cantos. Só nos nossos recantos, onde nos espera para se nos entranhar e encantar ele se pode escutar.

No resto dos alargados campos, não é fácil tocar-lhe ou ser por ele tocado fazendo vibrar as cordas do nosso génio. Os seres humanos nesta nossa modernidade fogem dele. Parecem não o suportar, ou pelo menos parecem suportá-lo mal. Não suportam o estrondo da sua voz. Incomoda-nos o seu sentir que nos põe os interiores e os humores ao léu.

Preferimos os estridentes ruídos e os saltitares sem pruridos em quotidianos supostamente muito floridos. Não nos chegam os estrondos do viver natural e do viver construído, ambos essenciais na medida que baste. Com frequência O silencio é um dom e é um tom. Um dom, porque na ordem das coisas da mãe Natureza que tantas vezes mais parece não ter ordem, nos é disponibilizado com todo o seu esplendor para nele ouvirmos os sons mais profundos nas veredas da alma. Um tom, porque como sabemos, uma pausa também é música quando esta ostenta o timbre dos anjos.

Não sei bem se o absoluto existe absolutamente, mas se existir, ele reside no silêncio, já que ele foi o que é antes de tudo o mais que há. Milionésimos de segundos antes da explosão inicial e inteira que sem medida deu lugar ao universo já o silêncio existia, quero crer, quiçá sem esplendor porque não havia termo de comparação.

Depois, foi-se deixando ocupar por sons e por tons. Por harmonias e por desarmonias. Mas ele continua. Só que quase se não escuta hoje em dia nos nossos cantos. Só nos nossos recantos, onde nos espera para se nos entranhar e encantar ele se pode escutar.

No resto dos alargados campos, não é fácil tocar-lhe ou ser por ele tocado fazendo vibrar as cordas do nosso génio. Os seres humanos nesta nossa modernidade fogem dele. Parecem não o suportar, ou pelo menos parecem suportá-lo mal. Não suportam o estrondo da sua voz. Incomoda-nos o seu sentir que nos põe os interiores e os humores ao léu.

Preferimos os estridentes ruídos e os saltitares sem pruridos em quotidianos supostamente muito floridos. Não nos chegam os estrondos do viver natural e do viver construído, ambos essenciais na medida que baste. Com frequência perdemos-nos esvoaçando encavalitados nas ondas sonoras e nos ruídos poluidores que erguemos.

Por aí também nos podemos esquecer um pouco de nós e muito dos outros de mais longe ou de mais perto. Sabemos que o silêncio pode ferrar e deixar marca. Por isso a páginas tantas lhe fugimos. Damos coices na lata que forra as paredes da nossa existência para que alguém dê por nós. Depois, tomamos o freio nos dentes e seguimos a toda a brida.

Mas atenção senhoras e senhoras, meninas e meninos, o silêncio é um direito e um dever. Todos temos direito a ele e todos temos perante os outros o dever de o garantir na medida do possível e perto do desejável. Cada qual tem direito ao seu mesmo que não seja a seu bel-prazer. Por isso guardá-lo dentro duma caixinha naquele lugar que se sabe, é de toda a inteligência.

Diziam os antigos que o silêncio é de ouro. Mas atenção que não o é sempre, pois quando o seu fazer significa a mera ausência de palavras, não passa de uma circunstância verificada. Pode mesmo ser muito mau quando resulta de visões arrepiantes plantadas no nosso cérebro.

Não. O silêncio de que falo, é o outro. É aquele em que se sussurram as palavras dos poetas escritas nas paredes como diz a canção. O que faz com que as ruas estreitas e com pedregulhos, se tornem largas avenidas em direção ao mar que não acaba, ou ao cume da montanha que não cessa de subir e parece tocar o céu em silêncio pleno.

-nos esvoaçando encavalitados nas ondas sonoras e nos ruídos poluidores que erguemos.
Por aí também nos podemos esquecer um pouco de nós e muito dos outros de mais longe ou de mais perto. Sabemos que o silêncio pode ferrar e deixar marca. Por isso a páginas tantas lhe fugimos. Damos coices na lata que forra as paredes da nossa existência para que alguém dê por nós. Depois, tomamos o freio nos dentes e seguimos a toda a brida.

Mas atenção senhoras e senhoras, meninas e meninos, o silêncio é um direito e um dever. Todos temos direito a ele e todos temos perante os outros o dever de o garantir na medida do possível e perto do desejável. Cada qual tem direito ao seu mesmo que não seja a seu bel-prazer. Por isso guardá-lo dentro duma caixinha naquele lugar que se sabe, é de toda a inteligência.

Diziam os antigos que o silêncio é de ouro. Mas atenção que não o é sempre, pois quando o seu fazer significa a mera ausência de palavras, não passa de uma circunstância verificada. Pode mesmo ser muito mau quando resulta de visões arrepiantes plantadas no nosso cérebro.

Não. O silêncio de que falo, é o outro. É aquele em que se sussurram as palavras dos poetas escritas nas paredes como diz a canção. O que faz com que as ruas estreitas e com pedregulhos, se tornem largas avenidas em direção ao mar que não acaba, ou ao cume da montanha que não cessa de subir e parece tocar o céu em silêncio pleno.


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