Há notícias que merecem ser recebidas com entusiasmo e há outras que, além do entusiasmo inicial, nos obrigam a parar e a perceber a dimensão do caminho percorrido até chegarmos até elas.
A criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior é uma dessas notícias. É, naturalmente, uma vitória de Bragança, mas não se reduz a isso. Esta é uma vitória de toda uma região e, sobretudo, uma vitória para toda uma região.
Nada do que agora é reconhecido nasceu agora. Uma Universidade não se constrói por decreto. Constrói-se com décadas de trabalho, com milhares de estudantes, professores, investigadores e trabalhadores, com conhecimento produzido, projetos desenvolvidos e uma instituição que soube afirmar-se muito para lá das fronteiras do Interior.
Mas para que esse reconhecimento seja feito é também necessária uma decisão política capaz de abrir um novo capítulo e é justo dizê-lo: foi este Governo da AD que tomou a decisão de criar a Universidade de Bragança e do Norte Interior. E poucas decisões têm tanto potencial transformador como o reforço, através do reconhecimento do caminho produzido, de uma instituição de ensino superior.
Uma Universidade forma pessoas, produz conhecimento, atrai talento, cria investigação, aproxima-se das empresas e transforma problemas em oportunidades. Para uma região que luta há décadas contra a perda de população e a saída dos jovens, isto é muito mais do que ensino superior. É desenvolvimento. É emprego qualificado. É inovação. É a possibilidade de criar ainda mais razões para ficar, mas também para vir.
O Interior tem de ser, cada vez mais, um lugar onde se chega, onde se escolhe viver e onde é possível construir um futuro.
A nova Universidade deve, por isso, pensar-se para lá de Bragança. Deve continuar a afirmar-se como uma instituição de toda a região, ligada aos seus municípios, às suas empresas, aos seus recursos e aos seus desafios. Uma Universidade capaz de transformar o conhecimento em desenvolvimento e de fazer daquilo que tantas vezes vemos como fragilidade uma oportunidade de especialização e liderança.
Esta conquista merece celebração. É uma vitória de quem construiu o caminho até aqui e de quem acreditou que o Interior podia ter instituições fortes, ambiciosas e reconhecidas.
É, em simultâneo, o início de uma responsabilidade.
A responsabilidade de continuar a transformar oportunidades em resultados, de garantir que a Universidade cresce com qualidade, atrai talento, reforça a investigação e cria oportunidades para os nossos jovens.
Agora, Bragança e o Interior Norte deram mais um passo importante que marcaram como uma vitória para o futuro.
Quando se olha para o futuro, há também nomes que a história deste momento não pode deixar de reconhecer.
O Professor Dionísio Gonçalves, que teve a visão e a ambição de traçar um caminho que muitos talvez não imaginavam ser possível e que, engrandecendo o projeto admirável iniciado pelo Professor Joaquim Lima Pereira, construiu as bases de uma instituição que viria a transformar profundamente Bragança e toda a região.
E o Professor Orlando Rodrigues, a quem coube, mais recentemente, a enorme responsabilidade e capacidade de conduzir o então IPB, depois UPB, até este marco histórico. Soube liderar uma instituição já reconhecida, consolidar o caminho percorrido e levá-la até ao momento em que uma ambição de décadas se transforma numa nova realidade.
Entre o sonho de quem começou a desenhar este caminho e a responsabilidade de quem o conduziu até aqui, há muitas pessoas, muitos anos e muito trabalho, todos dignos de reconhecido aplauso.
O Interior não quer apenas ser lembrado quando se fala de desigualdades ou em discursos bacocos de coesão territorial. O Interior quer ser escolhido. Porque quando se fala de trabalho, garra e ambição não somos apenas mais uns, somos dos melhores e é aí que, agora com a Universidade de Bragança e Norte Interior, continuaremos a conquistar o futuro!