Manuel Igreja

Manuel Igreja

Loucos

Revela-nos a História sem que seja necessário ser muito antiga, que é nos momentos de tragédia que se distinguem e são inequivocamente necessários os grandes líderes, os inquestionáveis condutores de multidões que caso sempre acéfalas nas horas de muitas aflições.

Não recuando muito no tempo, ainda se verificam os ecos e os efeitos da obra e das atitudes por exemplo de Winston Churchill na Inglaterra e de Charles de Gaulle em França no durante e no imediatamente depois da Segunda Grande Guerra.

Marcaram a diferença e influenciaram atitudes e resultados. Lideraram, lutaram, congregaram e conduziram na direção certa as suas Nações no rasgar e no sarar das feridas provocadas durante a pior de todas as guerras até hoje conhecidas e esperamos que por conhecer, no que respeita à amplitude causada pela bestialidade dos homens.

Nestes nossos tormentosos dias da primavera do ano de dois mil e vinte, levantaram-se vendavais e soltaram-se os demónios de novo ainda que por outras circunstâncias. Ainda não sabemos se serão ou não piores que outras de outras eras nas suas consequências, mas tememos porque não temos como lidar com algo que nos é absolutamente desconhecido.

O que sabemos e sentimos, é que de um modo geral nos faltam líderes de estaleca e levados da breca. Uma pessoa olha para o mundo até lá ao longe e ao fundo, e quase que necessita de candeia para encontrar um Estadista dos quatro costados. Haverá um aqui ou ali, mas são poucos quando devia haver muitos como é exigível e aconselhável.

Mas infelizmente idiotas e tresloucados ao leme com um pouco de exagero se calhar, quase diria que há um, embarcação sim embarcação não. Uns porque usurparam ou arrebataram o Poder, outros porque aproveitando os pequenos grandes defeitos da Democracia, foram eleitos convencendo e vendendo enfeites, poções mágicas e banha da cobra.

Ensina-nos também a História desde os mais longínquos tempos, que os líderes se elevam ou são elevados porque são os melhores, os mais fortes e os primeiros entre os primeiros. Na idade moderna, a inteligência ocupou o seu lugar próprio nos critérios das escolhas, supondo-se a sua existência nos que elegem e nos que são eleitos.

No entanto, por vezes a porca torce o rabo e não é bem assim pelo menos no meu modo de ver. Sem veleidades e sem querer ser dono do saber, não me sinto capaz aceitar sem um amargo na boca, que gente como os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, o Primeiro-ministro do Reino Unido e outros que tais, consigam erguer-se aos mais altos píncaros da sua Nação e com poder para influenciar a vida em toda a Terra.
Serão finos que nem o alho, estarão ao dispor de interesses imediatos de quem não dignifica a vida dos outros, de quem defende que um ser humano nada vale quando não acrescenta valor, mas antes de tudo, são mais loucos que doidos varridos.

O problema, é que não é só um problema deles e de quem os escolhe, pois, o problema é são um problema geral, pois a cada dia que passa, por via deles, somos todos prejudicados. Podemos até ir todos pró maneta, como diz o povo.

Para mal dos nossos pecados, ainda vão fazer História. Da triste.


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