Manuel Igreja

Manuel Igreja

Wine & Music Valley

Diz a lenda que no Olimpo os deuses se deliciam a beber vinho e a ouvir música, se calhar não fazendo mais nada lá naquele vale, digo eu que não tenho nada com isso, uma vez que sendo quem são, fazem o que bem lhes apetece. Por isso são deuses.

Para o resto estamos cá nós, pobres mortais, que lá nos vamos consolando aqui e ali, com isto e com aquilo, nos intervalos que conseguimos entre o mourejar e o descansar. Uns mais, outros menos, a coisa lá vai indo até ao dia em que formos ter com eles.

O resto, será uma questão de sorte, mas é essencialmente o resultado das capacidades e das vontades que cada um faz nascer para que depois algo aconteça. Mas antes que me esqueça, deixem que volva ao título aqui desta coisa que se está a desenrolar para depois lhes mostrar. Está em inglês. Podia estar antes “O Vale do Vinho e da Música”, mas achei melhor não.

O mundo é cada vez mais uma pequena aldeia global, por isso nada melhor que se utilizar um falar que todos entendam independentemente da hora e do local destino da mensagem. O nosso Vale, pois é dele que se trata, é por excelência a terra do vinho que tudo ganha quando se lhe acrescenta a música.

Foi o que aconteceu durante dois dias neste setembro mês de vindimas e de muitos odores de mostos a levedar. Perto do rio numa paisagem emoldurada e pintada pelo Mestre de tudo e de todos, milhares de pessoas viraram deuses do Olimpo por tão bons serem os vinhos apreciados e tão sublimes terem sido as notas musicais tocadas.

Foi boa a festa. Pá! Elevou-se e elevou-nos enquanto durienses, fazendo cabal prova de que para cá do Marão também se sabe o que é bom e que também se sabe fazer bem. A coisa esteve ao nível de cima, logo o Alto Douro Vinhateiro se elevou também.
Afirmou-se muito para lá do horizonte avistado do cimo do campanário, recebendo com cosmopolitismo a visitas da casa, sem descuidar os naturais que por sua vez entenderam o que estava e está em causa com eventos que escusam o mediano.

Somos bons a construir uma paisagem que é obra incomensurável, somos bons a fazer néctares, e somos bons porque sabemos distinguir. Não somos melhores que ninguém, mas sabemos o que queremos. E lutamos. Aliás no Douro não se faz outra coisa. Cortamos os silvados, usamos os arados e britamos os fraguedos para construirmos jardins suspensos em direção ao céu.

Obviamente que ainda nos falta vencer pequenas, mas fortes barreiras mentais, ainda há que se partir muita pedra. No entanto, vamos no rumo certo apesar de um ou outro desnorte porque há quem não tenha bússola apesar da força do magnetismo.

O Festival com o nome que intitula este singelo escrito, pode de todo em todo ser visto como testemunho do nosso avanço. Por isso, se os deuses quiserem vir para cá, não deixaremos. Que bebam vinho e ouçam arpa por lá. A não ser que venham só como turistas.

Quando houver outro estarão por aí. Aposto.


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