A tradição das tunas rurais do Marão e Alvão foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em regime de salvaguarda urgente, foi hoje anunciado.
“É um reconhecimento muito importante de uma manifestação profundamente ligada à identidade, à memória e à história das nossas comunidades”, afirmou à agência Lusa a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Vila Real, Mara Minhava.
O anúncio da inscrição da manifestação do “Toque: Tradição das Tunas do Marão e Alvão”, assinado pelo presidente do instituto público Património Cultural, João Soalheiro, foi publicado hoje em Diário da República (DR).
As tunas de Soutelo, Bisalhães, Campeã, Carvalhais e Ansiães são agrupamentos musicais de origem popular e algumas são já muito antigas, mas correm risco de extinção devido ao despovoamento das aldeias e ao desinteresse dos mais jovens.
“Este reconhecimento tem uma particular importância porque estamos perante uma tradição que enfrenta riscos na sua continuidade”, realçou Mara Minhava.
O processo de inscrição no Património Cultural Imaterial foi desenvolvido conjuntamente pelos municípios de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Amarante, em parceria com associação o Arquivo de Memórias.
“Foi um trabalho de cooperação entre os três municípios e uma entidade que teve um papel fundamental na documentação, investigação e valorização desta manifestação cultural”, acrescentou Mara Minhava.
A vereadora acrescentou que, porque se entende que a “salvaguarda não pode ficar apenas pelo reconhecimento formal”, paralelamente, estes parceiros avançaram, também, em conjunto, com uma candidatura ao Norte 2030, liderada pelo município de Vila Real, com o objetivo de desenvolver atividades concretas de salvaguarda, valorização e transmissão desta tradição.
“A salvaguarda do património imaterial não pode significar apenas preservar uma memória do passado, significa criar condições para que essa memória continue viva, seja transmitida às novas gerações e continue a fazer parte da vida das nossas comunidades”, salientou.
Segundo a publicação de hoje em Diário da República, a inscrição da manifestação “Toque: Tradição das Tunas do Marão e Alvão” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial reflete a “importância da manifestação enquanto reflexo da identidade das comunidades, grupos e indivíduos que a praticam e se encontram associados, a relevância da sua dimensão histórica, social e cultural na área territorial em que se insere”.
Está ainda relacionada com “a importância da valorização, promoção e salvaguarda dos contextos de transmissão associados à sua aprendizagem, que atualmente apresenta riscos sérios de comprometimento à sua continuidade” e com a “urgência no desenvolvimento de medidas de salvaguarda que garantam a viabilidade futura da manifestação em apreço, assim como a capacitação e valorização das comunidades, grupos e indivíduos que a praticam, a articulação desta prática com as exigências de desenvolvimento sustentável nos territórios onde se pratica e respeito pelos direitos, liberdades e garantias”.
Lusa