O barro negro de Vilar de Nantes foi inscrito no registo da União das Indicações Geográficas de produtos artesanais e industriais que reforça a proteção desta atividade artesanal do concelho de Chaves, anunciou hoje o município.

O presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, disse à agência Lusa que esta certificação europeia pode ajudar a preservar esta arte antiga, adiantando que estão também a ser desenvolvidos localmente projetos para a potenciar, como um centro criativo, uma oficina, forno e espaço expositivo.

O município do distrito de Vila Real disse que a decisão, emitida pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO), a 09 de setembro, constitui “um marco de particular relevância para o concelho de Chaves e para a salvaguarda de uma das suas mais emblemáticas tradições artesanais”.

A inscrição, segundo a autarquia, “reforça a autenticidade, notoriedade e reconhecimento do barro negro enquanto produto artesanal de origem e características próprias”.

A proteção europeia agora conferida constitui também uma oportunidade para dar maior visibilidade aos artesãos e ao saber-fazer associado à produção do barro negro, contribuindo para a sua valorização económica, cultural e turística e para a transmissão desta tradição às novas gerações.

O pedido de certificação foi promovido pela Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), com o apoio da câmara.

Nuno Vaz contou que o barro teve uma importância económica e social muito significativa em Chaves, mas particularmente em Vilar de Nantes e em Nantes, mas considerou que “ao longo dos tempos a sua relevância económica veio sendo relativizada”.

Localmente, uma associação, e, mais recentemente, a Junta de Freguesia de Vilar de Nantes, têm procurado manter viva a memória e a importância do barro preto. Na cidade há um espaço de visitação e de compra promovido por uma oleira.

Segundo Nuno Vaz, pretende-se agora avançar com um projeto que promova o ressurgimento da olaria do barro negro.

Nesse sentido, está a ser projetado um centro criativo para potenciar o artesanato, o turismo, mas também onde se desenvolvam atividades pedagógicas para as crianças.

O centro agregará outras expressões artísticas, como o teatro, a música e, eventualmente, também a cestaria.

O projeto passa ainda pela criação de um forno, uma oficina criativa e espaço expositivo na Freguesia de Vilar de Nantes.

A EUIPO já explicou que o novo sistema da União Europeia para indicações geográficas de artesanato e produtos industriais protege as designações de produtos cuja qualidade, reputação ou outras características estão intrinsecamente ligadas à sua origem geográfica.

Trata-se de um sistema semelhante ao existente para indicações geográficas agrícolas e pode vir a proteger as designações de centenas de produtos artesanais e industriais em toda a União Europeia.

Foto: Sandra Pinho





PARTILHAR:

Festa da Velha em Miranda do Douro inscrita no Património Cultural Imaterial

Tunas rurais do Marão e Alvão já são Património Cultural Imaterial