Estudantes universitários em Vila Real vão ter o acesso facilitado a consultas de medicina familiar, enfermagem e cessação tabágica, no âmbito de um protocolo assinado hoje entre a universidade e o agrupamento de centros de saúde.

“Este protocolo tem uma importância muito grande (…) e visa potenciar todas as questões ligadas à saúde e bem estar desta enorme comunidade académica que faz parte de Vila Real e deste território”, afirmou o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Emídio Gomes.

O protocolo foi assinado pela UTAD e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Marão Douro Norte e, segundo o reitor, permite que os alunos tenham acesso “totalmente facilitado e organizado” à saúde, reforçando o trabalho que a academia já faz no domínio da ação social.

Na UTAD estudam cerca de oito mil estudantes, 70% dos quais são deslocados. A estes acrescem cerca de mais mil colaboradores (docentes e não docentes) e suas famílias, num total de cerca de 15 mil pessoas.

Neste ano letivo entraram na UTAD perto de 1.600 novos alunos em primeiro ciclo, mais 1.100 alunos em mestrado e doutoramento.

O protocolo prevê, por exemplo, 50 consultas mensais na área da medicina familiar e enfermagem, bem como o acesso a consultas de cessação tabágica e abrange estudantes nacionais e também estrangeiros a estudar na academia transmontana.

“Este protocolo traduz-se essencialmente em duas vertentes. Em primeiro lugar numa sistematização daquilo que é o acesso aos serviços de saúde por parte dos estudantes da UTAD, que até aqui tinham um acesso muito disperso pelas nossas unidades”, afirmou Gabriel Martins, diretor executivo do ACES Douro Norte.

Esta ligação permitirá criar uma base de dados que permita conhecer “as reais necessidades em saúde desta comunidade estudantil” e fazer um diagnóstico em saúde que será, depois, plasmado no plano local de saúde.

Por outro lado, vai também permitir “sistematizar um conjunto de ações no âmbito da saúde escolar, que até agora estavam bastante robustas nos restantes níveis de ensino, mas que no ensino superior eram, de certa forma, pontuais”.

O ACES, através das unidades de cuidados na comunidade, terá uma equipa para intervir na UTAD.

Na prática, explicou Gabriel Martins, se um aluno “ficar doente ele vai ter uma unidade de saúde de referência e profissionais de referência que poderá contactar”.

“Se for um aluno que tenha necessidades de saúde especiais terá também um profissional de referência ao qual se pode dirigir para, por exemplo, esclarecer questões relacionadas com essa necessidade”, salientou.

Maria Ferreira, presidente da Associação Académica da UTAD (AAUTAD), disse que este protocolo era “necessário”.

“Somos uma comunidade estudantil com mais de 70% de estudantes deslocados (..), temos alunos de bastante longe que passam aqui a semana inteira e saberem, agora, onde se podem dirigir para resolver os seus problemas de saúde é uma mais-valia e que faltava, de facto, aqui na UTAD”, frisou.

A dirigente académica referiu que também ela já passou por isso, não saber onde se dirigir e ter de ir ao hospital.

Nos últimos meses tem-se falado na criação de um curso de medicina em Vila Real, numa colaboração entre a UTAD e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

“Estamos obviamente a trabalhar para, de uma forma serena, profissional, mas também convicta também mostrarmos que temos tudo, mas tudo, para contribuirmos para uma formação de qualidade no setor médico em Portugal a seu tempo, com serenidade e com os cuidados necessário e o rigor que a situação impõe”, afirmou Emídio Gomes



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