No ano em que se assinala o 80.º aniversário do Circuito de Vila Real, os automóveis vão ficar parados à boleia da crise. A história desta prova «mítica» vai ser recordada com uma exposição de fotografias e cartazes inaugurada hoje.

As primeiras corridas no circuito criado por Aureliano Barrigas realizaram-se a 15 de Junho de 1931 e, depois de um interregno de 16 anos, foram retomadas em 2007. Em 2011, os automóveis voltam a travar a fundo.

«O que atrapalhou foram as evidentes causas financeiras. Com os reajustamentos orçamentais, quer a autarquia quer o turismo ficaram sem verbas para muitos dos planos de animação que tinham previstos», afirmou hoje à agência Lusa Paulo Costa, da Global Sport, entidade organizadora juntamente a câmara e o Clube Automóvel de Vila Real (CAVR).

O responsável garantiu que já se está pensar na edição de 2012, que poderá surgir num formato de alternância com o Circuito da Boavista, no Porto, e permitirá «encaixar mais patrocinadores».

Referiu ainda que autarquia está a «trabalhar intensamente» na concretização das novas boxes exigidas pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK).

Apesar das tentativas, a agência Lusa não conseguiu obter declarações por parte da Câmara de Vila Real.

Também Jorge Fonseca, do CAVR, afirmou que foi a crise que «travou» o circuito, uma situação que diz lamentar porque este «é o cartaz número um» da região.

Pedro Salvador foi um dos últimos pilotos a ganhar em Vila Real, batendo inclusivamente, em 2010 e pelo segundo ano consecutivo, o recorde de velocidade da pista.

O piloto natural de Chaves lamentou por, mais uma vez, ver a sua região não ter a «inteligência» de conseguir manter o que «era mais fácil» e considerou que qualquer circuito citadino «tem condições para ter lucro».

«Este circuito é adorado por todos os pilotos e tem mais público que o Circuito da Boavista. Como é que conseguiram ter prejuízo em Vila Real», questionou.

Pedro Salvador diz que nota uma certa «falta de vontade e de coragem» por parte da organização, e considerou que a reivindicação de um novo «paddock» é «no mínimo ridícula», sublinhando que o Circuito do Mónaco, que recebe um grande prémio de Fórmula 1, «tem menos espaço e menos condições» do que as que existem na cidade trasmontana.

António Paulo Costa é o autor da exposição de fotografias e dos cartazes dos 80 anos de história do circuito, inaugurada hoje no centro comercial Dolce Vita Douro e que vai ficar patente ao público até ao dia 19.

O antigo piloto e dirigente desportivo ficou «triste» com esta morte anunciada das corridas que, garante, «sempre» atraíram muitas pessoas à cidade transmontana.

«Penso que o entusiasmo quebrou assim de um momento para o outro. As exigências são muitas e a vontade de organizar é pouca», afirmou.

Em exposição estarão ainda dois modelos clássicos: um Porsche 911 SC de 1975 e uma moto Norton Mank de 1947.

Em 1931, para ajudar à concretização circuito de Vila Real foi criado na cidade um «imposto» de quatro tostões cobrado por cada quilo de carne, ao qual a população aderiu.



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