A Filandorra estreia a 10 de outubro, em Vila Real, o “Auto dos Anfitriões”, de Luís Vaz de Camões, uma peça que assinala os 500 anos do poeta português e vai percorrer 25 municípios do Interior.

A praça Luís de Camões, no centro da cidade de Vila Real, foi o palco escolhido pela companhia de teatro para a apresentação da sua 93.ª produção com atores e músicos a fazerem uma pequena encenação do espetáculo.

“Como companhia de repertório era incontornável não se fazer Camões e quisemos fazê-lo naquilo que é a nossa arte, o teatro, e ele escreveu teatro”, afirmou David Carvalho, diretor da Filandorra – Teatro do Nordeste.

O Auto dos Anfitriões, com original escrito em castelhano, é uma das três peças que Camões deixou.

Para David Carvalho, fazer Camões é uma “responsabilidade muito importante”.

O diretor da companhia realçou que esta peça quer chegar a “todos os públicos” e “em todos os locais”.

“É também um momento divertido”, frisou.

A produção visa o público em geral, com tónica para o público escolar, do 9.º ano do Ensino Básico e Secundário.

Pensada para “uma grande circulação”, a peça vai passar por cidades, vilas, aldeias e agrupamentos de escolas de 25 municípios do Interior do país, podendo ser apresentada em teatros, mas também em escolas ou locais ao ar livre.

Fazer teatro de Camões é uma estreia para o encenador Filipe Crawford, que afirmou ter encontrado no autor “ecos de textos de Gil Vicente”, um autor de que disse gostar muito. “Achei muito interessante e fiquei muito surpreendido pela positiva”, salientou.

Explicou que este espetáculo foi concebido para itinerar, para ser apresentado em qualquer lugar e que o cenário foi concebido para ir a qualquer lado.

“Quando se começa a pensar no enquadramento cenográfico, pensa-se logo em qualquer coisa que seja fácil de transportar. O cenário, neste caso a casa de Almena ou o trono de Júpiter, tem que caber numa carrinha que não seja muito grande e tem que ser fácil de montar”, afirmou Filipe Crawford que, pela quarta vez, trabalha com a Filandorra.

Trata-se de uma comédia inspirada no mito grego do nascimento de Hércules, uma história onde deuses confundem os humanos e onde desenganos amorosos são pretexto para o desenvolvimento da lírica própria do poeta.

De forma jocosa, este auto camoniano foca a crise identitária, duplicidade e o conflito da perda de individualidade. A música original é da autoria de Pedro Carlos.

A estreia está marcada para 10 de outubro, no Teatro Municipal de Vila Real, e, no dia 22, dá-se o arranque da sua digressão na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), para a licenciatura em Teatro e Artes Performativas e toda a comunidade académica.

A produção assinala os 500 anos de Luís Vaz de Camões e integra o programa das comemorações do centenário da elevação de Vila Real a cidade.

No início do ano, a Filandorra foi excluída do programa bienal de Apoio Sustentado às Artes, da Direção-Geral das Artes (DGArtes). No entanto, a companhia recebeu posteriormente a visita da então ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, e para esta produção acabou por contar com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, através do Fundo de Fomento Cultural.

Foto: Filandorra



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