A Casa de Mateus, em Vila Real, é palco em outubro para a Festa Douro que celebra o Património Mundial classificado pela UNESCO há 25 anos com música, vinho e gastronomia, mas também sinaliza dificuldades da região.
A Festa Douro insere-se na programação de outono da Fundação da Casa de Mateus e propõe, até dezembro, 25 eventos de música, criação artística, pensamento, livros e celebração comunitária.
A diretora delegada da Fundação da Casa de Mateus, Teresa Albuquerque, disse hoje que a festa é uma celebração do Douro, uma homenagem aos que moldaram o Douro com o seu trabalho e conseguiram a classificação pela UNESCO e é também um sinal de que a Casa de Mateus se preocupa com os problemas que atingem este território.
“Nós estamos dentro do Douro, somos Douro, enfim, somos indissociáveis desta paisagem”, realçou a responsável, que falava em conferência de imprensa e apontou para o “aquecimento global, as dificuldades no setor dos vinho, na viticultura de montanha e na conciliação da paisagem com uma economia sustentável.
A Festa Douro acontece nos dias 03, 04, 05, 10 e 11 de outubro e começa com um concerto e um arraial que quer reinterpretar os tradicionais bailes de vindima.
No dia 03 atuam o coletivo “Outra Voz”, o grupo de precursão Drumming, mas há também cozinha ao vivo e provas de vinhos produzidos nesta que também é a mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo.
Nos dias a seguir, os concerto são protagonizados pelo grupo Retimbrar e Cordophonie, um projeto que junta João Ricardo Barros de Oliveira a outros músicos que se inspiram na ideia de converter lixo em arte sonora.
Os seus "objetos sonoros" são construídos a partir de pipas, cepas, prensas e raízes do Douro, criando “instrumentos esculturais únicos” com os quais produz novos sons.
“É um projeto 'vinícolo som', é o som da terra, das sonoridades e arte sonora”, realçou João Ricardo Barros de Oliveira.
Ágata Mandillo vai cozinhar ao vivo. É uma das promotoras do projeto Fermenta que trabalha com a produção local e está também a fazer um levantamento dos produtores locais.
Em Mateus vai cozinhar cusco transmontano, uma massa feita artesanalmente apenas com farinha de trigo e água, e ainda enchidos e cogumelos, mas também bolo entre lenha.
A festa faz-se ainda com os DJ Maryzka, Calabaça e Panic & Edmonius.
E o programa inclui a entrega do prémio literário D. Diniz a Djaimilia Pereira de Almeida, pelo "Livro da Doença”, numa cerimónia que decorre a 09 de outubro e deverá contar com a presença do Presidente da República, António José Seguro.
No mesmo dia, será feita uma visita às obras de recuperação de antigos edifícios junto à adega e que, inicialmente estava previsto inaugurar durante a Festa Douro.
A Casa de Mateus tem em curso um projeto de recuperação de antigos edifícios agrícolas num investimento, numa primeira fase, de dois milhões de euros.
A programação musical da Festa Douro termina com o concerto de Mário Laginha, que regressa 23 anos depois da sua primeira presença em Mateus.
Até dezembro, há outras propostas de memória, criação contemporânea, biodiversidade, literatura, música e reflexão sobre o futuro do Douro, como a estreia da peça “Triste figure”, numa coprodução com o teatro de Vila Real a inauguração da exposição “Um segundo de incerteza” e o percurso ambiental em torno dos cogumelos.
A programação de 2026 termina com o recital de encerramento do Concurso Internacional de Composição Lied Alvaro García de Zuñiga.
A fundação conta com o apoio da Câmara de Vila Real e Direção-Geral das Artes (DGArtes) e Teresa Albuquerque aproveitou para deixar preocupações, já que o novo concurso de apoio foi só lançado agora e os resultados poderão ser conhecidos só em 2027, o que resulta em incerteza e dificuldades para programar.
O Palácio de Mateus, reconhecido como monumento nacional desde 1910, é uma das principais atrações turísticas de Vila Real e, desde janeiro até hoje, já recebeu mais de 85 mil visitantes.
Lusa