Luis Ferreira

Luis Ferreira

Onde pára o pássaro?

Realmente, nem tudo o que parece é. Quando acontece alguma coisa inesperada, mas que pode satisfazer as ambições de alguns, não significa que seja mesmo o que está a acontecer na realidade.

Hoje, muitas coisas que se passam nos quatro cantos do mundo, não indiciam uma realidade absoluta, pois vem-se a verificar posteriormente que afinal eram puras manobras de distração ou, no mínimo, erros de cálculo.

O que aconteceu com a rebelião de Prigozhin e que todos pensaram ser de facto uma tentativa séria de derrubar o poder de Moscovo, muitos revelaram a sua satisfação ao imaginar a possibilidade de isso realmente acontecer e de pôs um ponto final às loucuras de Putin e à guerra contra a Ucrânia. E que mais se podia pensar nesse momento? A realidade que se nos apresentava era efetivamente essa. E pelas notícias, Putin tremeu e o seu avião particular até levantou voo para aterrar em Sampetersburgo, não fosse o caso de ter de fugir, facto que, aliás, foi igualmente noticiado.

Uma movimentação extraordinária se verificou em todo o mundo, quer nas redes sociais, quer nos meios de comunicação mais variados, quer mesmo nos meandros políticos que, com maior ou menor contenção, se expressaram sobre o assunto. O que poderia acontecer?

Muitos já adiantavam que, a ter sucesso, Perigozhin era muito pior que Putin e que as coisas até podiam ficar muito sérias em termos de política internacional. Na verdade, a China não se pronunciou no imediato sobre tal acontecimento, pois a ser verdade as suas relações com Moscovo ficariam certamente comprometidas. Os EUA, não levaram muito a sério a rebelião do grupo Wagner e pouco disseram sobre isso, fazendo crer que podia tratar-se de uma manobra de diversão. Mas os países europeus desejavam ardentemente que Putin fosse derrubado e a guerra na Ucrânia acabasse de vez. Realmente, o que Perigozhin sempre disse é que era uma guerra sem sentido e para a qual Putin só fornecia soldados sem preparação, sem condições de estar na frente da guerra e que nada mais era do que carne para canhão. Chegou mesmo a dizer que Putin não tinha condições para continuar à frente da Rússia. Isto era música para os ouvidos de muitos que queriam o mesmo. O que acontecesse depois, não interessava. Mas as coisas não seriam assim.

Se até aqui tudo parecia ser verdadeiro e uma ameaça real a Putin, o que se passou a seguir fez desconfiar de tudo. O grupo Wagner foi travado com negociações onde o presidente da Bielorrússia aparece, milagrosamente, como intermediário. Fizeram-se promessas a Perigozhin e aos soldados do seu grupo. Ninguém seria castigado e os soldados poderiam ser integrados no exército russo sem qualquer sanção. A Bielorrússia poderia ser a acolhedora do grupo Wagner e do seu chefe. O mundo parou e esperou que Moscovo se pronunciasse. Putin permaneceu calado, dias e dias seguidos. Afinal o que se passava?

As notícias que se seguiram davam conta de que Perigozhin já estava na Bielorrússia e que os soldados seriam abrigados num campo militar desativado, onde permaneceriam por tempo indefinido. Mas ninguém teve a certeza de que isso se estava a passar. Alguns órgãos de comunicação adiantaram que Perigozhin já estava na Bielorrússia e comandava o seu grupo no campo militar que lhe tinha sido concedido. Mas logo foi adiantado que não foi por lá visto o chefe do grupo. Onde estava Perigozhin afinal?

De Moscovo não chegaram notícias sobre o seu paradeiro. Ninguém sabia onde parava o pássaro! E ainda se não sabe, ou talvez sim. As últimas notícias revelaram que ele e Putin se encontraram em Moscovo. Será verdade? Não há registos de nada.

O certo é que tudo isto pode ter sido uma manobra para enganar os próprios russos e dar força a Putin, ou então foi mesmo verdade e Putin sente-se ainda demasiado ameaçado. Falou-se que Perigozhin tinha a cabeça a prémio, tal como todos os que ameaçaram o poder de Putin. E se o emcontro entre os dois é verdade, o que terá sido dito e combinado entre eles? Prigozhin pode ter os dias contados se não se acautelar. Mas também se pode dar o contrário, ou seja, Putin que se cautele para que não lhe aconteça o que já fez a muitos e acabe por ser morto pelos amigos mais próximos, como aconteceu antigamente aos últimos imperadores romanos. Há sempre um dia em que tombamos. Resta saber como e onde.

A verdade é que ninguém sabe verdadeiramente onde para o chefe do grupo Wagner. O que estará a preparar. Há muitos locais e países onde o Grupo atua presentemente. Estará por lá o senhor Perigozhin? Estará em Moscovo ou na Bielorrússia? Ou estará a preparar o grupo para fazer nova investida a Moscovo? Muitas incógnitas e poucas verdades. Uma coisa parece ser certa: Putin está a ser um presidente cada vez mais fraco. É bom que se acautele!



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