Luis Ferreira

Luis Ferreira

E nós aceitámos....

Perante tantos acontecimentos recentes – ataques terroristas, tiroteio nas escolas, mortes e assassinatos sem par em nome de um deus menor, ceio que tudo teve o seu início desde que Madeline Murray O’hare, que foi assassinada, se queixou de que era impróprio rezar nas escolas americanas como se fazia tradicionalmente. Na época, nós concordámos com a sua opinião. Mais tarde, também. Verdade? Depois disso alguém disse que seria melhor não ler a Bíblia nas escolas, a Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o próximo como a nós mesmos. E nós concordámos uma vez mais. Logo depois Benjamin Spock disse que não devíamos bater nos nossos filhos quando de comportassem mal, porque iríamos distorcer as suas personalidades em formação e isso iria prejudicar a sua auto estima. E nós concordámos. Depois alguém disse que os professores nas escolas não deveriam disciplinar os alunos quando se portassem mal. Então foi decidido que nenhum professor podia tocar nos alunos! E nós aceitámos.
Depois alguém sugeriu que deveríamos deixar que as nossas filhas fizessem aborto, caso quisessem. E nós aceitámos. A seguir deveríamos distribuir, sem regras, preservativos para que a juventude se divertisse à vontade. E nós concordámos. Depois apareceram as revistas com fotografias de mulheres nuas e concordámos que era sadio apreciar o corpo feminino. Depois alguém foi mais longe e publicou fotografias de crianças nuas colocando-as na Internet. É democrático e eles têm o direito de se expressar, pensámos nós! Depois vimos depravados a aproveitarem-se dessas crianças, dos nossos filhos, das nossas filhas, raptando-as, enganando-as, violentando-as no seio de um mundo que ajudámos a criar. E nós o que fizemos?
Agora perguntamo-nos por que razão os nossos filhos não têm consciência e não sabem distinguir entre o Bem e o Mal, o certo e o errado, porque não os incomoda matar pessoas estranhas ou mesmo os seus colegas. Provavelmente, se nós analisarmos seriamente tudo isto, iremos facilmente compreender: nós colhemos aquilo que semeámos!
Em situações extremas, temos sempre de culpar a Entidade máxima e não entendemos as razões que arrastam o mundo para o inferno. Acreditamos em tudo o que se diz nas revistas, nos jornais e esquecemos os ensinamentos principais, aqueles que aprendíamos nas escolas, nas tais em que se ouviam palavras sábias e onde se rezava em nome de um Deus maior. E Deus tem culpa?
A verdade é que todos querem ir para o Céu, mas poucos se lembram do que é necessário para o conseguir. Não é só uma questão de religiosidade e muito menos de um fanatismo abominável. É uma questão de boa formação assente em valores sociais inquestionáveis, como os que acima referi. Os nossos filhos têm o direito de serem educados com vista a um futuro salutar, onde saibam aplicar os ensinamentos que ao longo da vida lhes vão sendo ministrados.
Temos andado a reboque de algumas ideias, supostamente modernas, que aceitamos tacitamente, como se o simples facto de as pôr em causa, ultrajasse o individuo que as avançou. E onde é que isso nos levou? Onde é que se situa esta sociedade moderna? Onde vamos colocar os indivíduos que entram numa escola e matam indiscriminadamente, só porque lhes apetece, todos os alunos que lhes aparecem à frente? Onde colocar aqueles que se imolam, matando dezenas dos que se encontram à sua volta e perecem sem culpa nenhuma? Onde podemos colocar os que se juntam a fanáticos religiosos que matam, por vingança e em nome de uma religião qualquer? Onde colocar os que matam o pai ou a mãe, ultrapassando todos os valores morais e racionais?
Nestes momentos invocamos muitas vezes o nosso Deus e pedimos-lhe que nos livre de … isto ou daquilo, mas esquecemos que o retirámos das nossas vidas há muito tempo, porque alguém propôs que o fizéssemos e nós aceitámos! Porquê?
É tempo de não aceitarmos mais imposições de iluminados que desviem a sociedade mundial do caminho certo, reto e justo, onde as mentes perturbadas não possam caber. Nessa altura, os nossos filhos já não fugirão para ir matar os seus próprios colegas!


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