Chrys Chrystello

Chrys Chrystello

Nada me espanta


Já nada me espanta ou surpreende, mas alguns factos quotidianos ainda conseguem fazer ‎aflorar um sorriso à comissura dos lábios (como se dizia na tropa, no malfadado RDM, ‎Regulamento de Disciplina Militar)…‎

A brasileira Suellen Carey, que realizou um casamento simbólico consigo mesma em Londres, decidiu colocar um ponto-final na ‎sua união sologâmica depois de um ano. Conta que a experiência foi intensa e cheia de aprendizados, ajudando-a a desenvolver ‎autoconhecimento e força interior, mas o processo trouxe desafios emocionais difíceis de sustentar. Suellen descreve esse período de ‎‎“mergulho interno” como transformador. Para ela, aceitar o divórcio simbólico representa uma nova etapa, marcada por mais ‎leveza e clareza, e diz estar aberta para novos relacionamentos, com outra pessoa.

Antes da decisão, Suellen passou por uma espécie ‎de “terapia de casal” consigo mesma, procurando compreender limites, expectativas e vulnerabilidades. Mesmo com o fim da ‎união, garante que o processo fortaleceu a autoestima e a perceção sobre as próprias necessidades emocionais. ‎ 

Nesta época natalícia em que as saudades da minha mulher são mais prementes lamento ‎que aqui não tenhamos uma cabina telefónica, como no Japão para “conversar” com quem já ‎se foi. Kaze no Denwa ou “O Telefone do Vento” fica em Otsuchi, o telefone não está ‎conectado a nada. Não possui linhas, nem fios, nem sinal. Mas isso nunca importou… É um ‎espaço onde a tecnologia não funciona, mas a memória funciona perfeitamente. Um lugar ‎onde a dor vira voz. Onde o silêncio escuta. A cabine virou um símbolo internacional de luto ‎coletivo — mostrando que, independentemente de cultura, existem dores que só conseguem ‎sair quando são pronunciadas. E que às vezes, o que cura não é ser ouvido, mas ter coragem ‎de falar.‎



Mudemos de assunto, serei cético, descrente de amores desproporcionados em idade, ou ‎meramente cínico mas sinto sempre o mesmo ao ver imagens destas. Eu até dizia dantes que ‎era como eu namorar uma amiga da idade da minha mãe…repugnante!

E a verdade é que não ‎me imagino hoje numa situação semelhante, mesmo considerando que a minha noção de ‎beleza é a mesma de há 60 anos, e portanto, normalmente sentir-me-ia atraído por jovens ‎dessa idade. As hipóteses de algo assim me acontecer estão a anos-luz de poderem ‎acontecer, basta ver a ausência de registos de propriedade predial de valor avultado ou a ‎minha conta bancária! ‎  

Na China pode alugar um apartamento com 40 cm de largura por 1 USD por noite (30 ‎dólares mensais), com uma cama estreita, uma tomada e uma TV pequena. Podia ser a ‎solução para os portugueses. Mas não nos preocupemos com estes não-eventos pois agora as ‎mulheres e jovens são os mais vulneráveis: correm maior risco de perderem os seus ‎empregos para a IA e de a tecnologia estar enviesada contra estes grupos. “Os robôs ‎humanoides assumirão os trabalhos nas fábricas dentro de 5 anos”, afirma o CEO da Xiaomi.

A ‎mim já não deve afetar grandemente, não sou mulher, nem jovem, nunca trabalhei nas ‎fábricas e esses humanoides não me convencem ainda. Por outro lado, a imigração do futuro ‎está a morrer: “Há cada vez menos vistos de nómadas digitais a serem emitidos em Portugal, ‎desde a sua criação. As solicitações também têm vindo a diminuir.”‎


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