A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) integra a aliança europeia EU-GIFT que dispõe de 7,5 milhões de euros para investigação em viticultura, agricultura, alimentos com identificação geográfica, criar mestrados e doutoramentos.
“A UTAD é a única da região interior Norte a participar numa aliança europeia e isto é importante porque nos permite não só a internacionalização, mas permite-nos a criação de estruturas e a criação, por exemplo, de um programa doutoral e mestrados internacionais conjuntos”, afirmou hoje Ana Barros, coordenadora do projeto na academia transmontana.
A Universidade Europeia para a Identidade Geográfica (EU-GIFT) é uma aliança de universidades europeias cujo principal objetivo é elaborar em conjunto uma estratégia focada na excelência no ensino e investigação, especialmente nas áreas de viticultura, alimentos com Identificação Geográfica e agricultura sustentável.
Nesta aliança, que se estenderá até 2028, estão também envolvidas universidades da Alemanha, Espanha, França, Hungria, Itália e Roménia.
O projeto inclui investigação, novos projetos, intercâmbio de estudantes e a criação de programas doutorais e mestrados conjuntos entre as academias envolvidas.
À UTAD caberá o papel de desenvolver a estratégia de inovação e investigação, de criar um programa de doutoramento nas áreas da viticultura e alimentar e um centro de investigação interdisciplinar, com ações de transferência de conhecimento e inovação entre as sete instituições envolvidas.
Neste centro, concretizou Ana Barros, vão ser abordadas temáticas como a sustentabilidade e os fatores pré e pós colheita na qualidade dos alimentos e dos produtos vitivinícolas.
Depois, a UTAD participará ainda na criação de quatro mestrados que serão todos de duplo título.
“O que significa que nós, para o próximo ano, já vamos receber alunos de outras instituições que podem fazer o ano curricular pelo menos um semestre aqui na nossa instituição. Essas aulas serão lecionadas em inglês, mas permitirão que depois, no ano de tese, os alunos possam desenvolver as teses connosco aqui na UTAD e pode ser permitido o duplo título”, explicou Ana Barros.
Entre as iniciativas previstas, estão ainda a criação de um campus virtual com informação das sete universidades, microcredenciais, mobilidade dos estudantes, sustentabilidade, igualdade do género, comunicação e qualidade.
A investigadora anunciou ainda que as sete instituições desenvolveram um outro projeto comum, aprovado com um financiamento de 350 mil euros e que vai permitir assinalar, a 25 de setembro, em Vila Real, a Noite Europeia do Investigador.
A investigação da UTAD irá para “a rua” e, na praça do município e claustros do edifício do antigo Governo Civil, será partilhada com toda a comunidade.
Depois, durante o ano letivo os investigadores da academia vão às escolas para que, na edição de 2027, sejam também elas a dinamizar o evento que acontece sempre na última sexta-feira de setembro.
A academia transmontana já disse que a EU-GIFT está alinhada com o Pacto Ecológico Europeu, com a Política Agrícola Comum (PAC) e com a Estratégia “Do Campo à Mesa”, e vai focar-se nos desafios desencadeados pelas alterações climáticas, na disrupção nas cadeias de abastecimento alimentar, na eficiência de utilização de água ao longo das cadeias de valor, nas práticas biológicas e na perda de população nas regiões do interior.
Com um orçamento de 7,5 milhões de euros, a aliança é liderada pela Universidade de La Rioja e envolve ainda as universidades de Hochschule Geisenheim (Alemanha), de Agricultura de Bordéus (França), Católica Eszterházy Károly (Hungria), de Ciências Agrárias e Medicina Veterinária de Cluj-Napoca (Roménia) e de Verona (Itália).
A nível europeu há 65 alianças que reúnem 560 instituições de ensino superior de 35 países.
Em Portugal, participam 12 instituições.
Lusa