Os trabalhos agrícolas e de limpeza são a principal causa de incêndios nas Terras de Trás-os-Montes e este verão mais do que nos anteriores, revelou, hoje, à Lusa, o comandante sub-regional da Proteção Civil.

“Há múltiplos exemplos disso e, no apuramento de causas que é feito pela GNR, há duas grandes causadoras de incêndios, são de facto os trabalhos agrícolas, com roçadores, com destroçadores, e a queima de sobrantes e as queimadas”, adiantou, em declarações à Lusa, o Noel Afonso.

Apesar de considerar ser cedo para fazer um balanço sobre o verão, o comandante sub-regional da Proteção Civil salientou que “tem sido recorrente o surgimento de incêndios provocados pelos trabalhos agrícolas”.

“Notou-se mais que o normal este verão, notou-se esse acréscimo provocado pelas limpezas”, afirmou.

Segundo Noel Afonso, devido ao baixo índice de humidade na região, “qualquer pequena fagulha ou faísca provoca um incêndio” e a população ainda não tem “noção do real risco” que existe, ao fazer estes trabalhos mais tarde do que o normal, devido à primavera ter sido “muito chuvosa”.

Há “20 anos era possível fazer este trabalho”, porque “os combustíveis e os matos não estavam tão secos como estão agora”, mas o comandante sublinha que os tempos mudaram.

“As alterações climáticas nos incêndios notam-se de uma forma muito vincada e muito bem expressa. Por cada ano que passa, nos últimos anos, nota-se que os combustíveis ardem mais depressa, porque tem menos humidade, porque o tempo está mais seco, mais quente, tudo isso influencia o comportamento do fogo”, explicou.

A vaga de calor que o distrito de Bragança atravessa, já na estação do outono, comprova que já “não existe a chamada época de incêndios” e as autoridades regem-se por “diferentes níveis de prontidão e alerta” entre janeiro e dezembro.

“Pelo que se tem visto, vai ser cada vez mais difícil, vamos ter cada vez incêndios mais rápidos, mais violentos e mais devastadores”, vincou Noel Afonso.

As temperaturas vão manter-se elevadas até sábado e, por isso, a Proteção Civil mantém os diferentes meios, bombeiros, sapadores florestais e máquinas de rasto, pré-posicionados em todos os concelhos da sub-região Terras de Trás-os-Montes, Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Mirandela, Vinhais, Vimioso e Vila Flor.





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