A PSP preparou um dispositivo especial com 150 agentes só para o Circuito Internacional de Vila Real, que começou hoje na cidade que se transforma numa pista que atrai adeptos do automobilismo e é oportunidade de negócio.
A 55.ª edição do Circuito Internacional de Vila Real prolonga-se até domingo.
“Temos empenhado só para o circuito cerca de 150 polícias, entre chefes, oficiais e agentes”, afirmou à agência Lusa o subintendente Paulo Varandas, da PSP de Vila Real.
A preparação da operação começou há cerca de dois meses.
O circuito tem um traçado de 4,6 quilómetros, com 24 curvas, estende-se pelas avenidas da Europa e de Osnabruck, segue por um troço da estrada 322, desce pelas ruas Vasco Sameiro (reta de Mateus) e Casimiro de Oliveira.
Durante as provas, estas ruas estão cortadas ao trânsito, mas há também condicionamentos em outros arruamentos da cidade.
Para além dos agentes dispersos ao longo do circuito, há outros que estão focados na regularização do trânsito que, durante estes dias, sofre grandes constrangimentos na cidade.
Os polícias, segundo Paulo Varandas, informam os condutores, que se deslocam de automóvel ou de motocicleta, “para onde podem ir, as alternativas e onde podem estacionar”.
“Para, no fundo, ficar a prova desportiva completamente vedada a qualquer tipo de intrusão”, salientou.
A aposta da PSP é na proximidade e na prevenção criminal. São esperadas muitas pessoas também no centro da cidade, onde à noite decorrem concertos de David Fonseca e dos The Gift.
“Trabalhamos assim no âmbito da prevenção criminal, no combate ao crime, trabalhar a montante, não deixar o crime acontecer e se acontecer podermos logo identificar e sanar o conflito, e na proximidade, na base de elucidar o cidadão naquilo que mais precisa”, realçou Paulo Varandas.
Na operação estão envolvidas várias valências da PSP – as esquadras policial, de trânsito, de intervenção e fiscalização policial e de investigação criminal.
O comandando da PSP é também reforçado com outros elementos provenientes de Bragança, Porto, Viana do Castelo ou Viseu.
A organização do circuito mobiliza de forma direta e indireta cerca de 1.500 pessoas, entre voluntários, forças policiais, bombeiros e outros.
Fernando Macedo é voluntário e tem a missão de conduzir o carro médico, onde seguem um médico e um enfermeiro.
“Esta é uma paixão que nos move. Nascemos e crescemos na envolvência das corridas e daí estarmos cá também”, afirmou.
A sua equipa está de prevenção a qualquer situação que possa ocorrer em pista e acompanha os carros na primeira volta da corrida.
Dentro do carro, ao lado de Fernando Macedo está o médico Rui Capucho que também partilha a paixão pelas corridas.
A equipa médica envolvida nas corridas faz também emergência pré-hospitalar. “Portanto gostamos muito deste tipo de atividade”, referiu o médico, explicando que têm formação especifica para uma atuação em competições de automobilismo, certificada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), para poderem fazer corridas internacionais.
O circuito de Vila Real é desporto, mas também é turismo, animação e negócio.
O café Aroma da Serra abriu junto ao circuito e, segundo o proprietário, este é um fim de semana importante para o negócio.
“Preparamos bifanas e pregos e reforçamos as bebidas”, afirmou José Tavares, que antecipa “grande movimento” entre o estabelecimento, a esplanada e a pista.
Costuma fechar aos domingos, mas no próximo estará de portas abertas.
“Sempre gostei das corridas e se pudesse também corria. Quando há uma vaga vou lá fora espreitar. Estamos num sítio fantástico e espero que venham mais pessoas porque é bom para as corridas e para o negócio”, salientou.
O presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, perspetiva que o circuito atraia cerca de 200 mil pessoas ao longo do fim semana e lembrou que os estudos de impacto económico apontam para um retorno de cerca de 15 milhões de euros de impacto direto para a região.
Mal os primeiros carros entraram em pista para os treinos, António com 12 anos e Matias com 13 anos já ocupavam lugar numa das bancadas improvisadas em andaimes na zona da reta de Mateus.
“Estou aqui para ver as corridas que só acontecem de ano em ano, tem que se aproveitar”, salientou António, que disse gostar dos carros, mas também da festa que dura os três dias.
A bancada foi colocada pela Associação Quinta Estação e ali há também mesas, um toldo para proteger do sol, comida e bebidas.
“Montamos este ‘spot’, estas bancadas há 10 anos. É um grupo de amigos que joga futebol e juntamo-nos aqui por causa das corridas e do convívio”, afirmou o presidente da associação, Simão Ribeiro.
O responsável espera uma casa cheia neste ‘spot’ onde os carros atingem grandes velocidades.
“Somos de Vila Real e, portanto, as corridas estão-nos no sangue”, frisou.
Em Vila Real competem cerca de 150 pilotos dispersos por provas como o TCR World Tour, prova que substituiu a Taça do Mundo de Carros de Turismo, o Campeonato de Portugal de Velocidade e o Campeonato de Portugal de Clássicos.
Fotografias: Bruno Taveira
Lusa