O dia de hoje fica marcado por um momento histórico para o Ensino Superior e para o desenvolvimento do Norte Interior. Na sessão de abertura da reunião do Conselho de Ministros, realizada em Bragança, a Presidente da Câmara Municipal, Isabel Ferreira, assumiu uma postura de forte exigência perante o Governo, colocando na linha da frente a tão aguardada reconversão do Instituto Politécnico em Universidade.
"Foi dado um passo político importante. Foi reconhecido aquilo que esta instituição conquistou por mérito próprio", afirmou a autarca, referindo-se à instituição que considera a sua "casa". Para Isabel Ferreira, o reconhecimento político já foi alcançado, mas agora "é preciso fazer acontecer" para fixar jovens e reter talento na região.
Num discurso pautado pelo respeito institucional, mas fortemente reivindicativo, a presidente lembrou a sua antiga experiência enquanto membro do Governo para sublinhar o drama de quem vive no Interior: "A distância entre decidir e executar pesa muito mais aqui. Cada oportunidade adiada tem consequências".
Para além da transição para Universidade, o Município de Bragança apresentou um caderno de encargos ambicioso ao Primeiro-Ministro. Entre as principais exigências destaca-se a candidatura de Bragança para acolher uma das novas Grandes Áreas Empresariais anunciadas para o Norte do país, aproveitando o potencial transfronteiriço e a proximidade logística a mercados espanhóis como Puebla de Sanabria, Zamora e Madrid.
A autarca reclamou ainda avanços urgentes nas ligações rodoviárias e na ferrovia rumo a Espanha e à Europa, a garantia de financiamento e calendário para a Barragem de Parada (inserida na Estratégia “Água que Une”), fundos para a reabilitação profunda das escolas locais e uma revisão justa da Lei das Finanças Locais. "Um município como Bragança não pode ser medido apenas pelo número de habitantes. O território existe, as distâncias existem e as centenas de aldeias têm cidadãos com os mesmos direitos", vincou.
Com o Governo em solo transmontano, Isabel Ferreira deixou claro que Bragança está a fazer a sua parte na inovação e na captação de investimento, cabendo agora ao Executivo nacional demonstrar com ações que a valorização do Interior é uma verdadeira política de Estado.
DTM