A reforma de Bolonha visa constituir um espaço europeu que dinamize a economia e a sociedade, para competir com os principais actores mundiais envolvidos na formação avançada.

A aplicação desta declaração exige mudanças nos aspectos pedagógicos inerentes à inovação na forma de ensinar, de avaliar, na investigação e internacionalização das instituições. Contudo, as restrições orçamentais que abalaram o ensino superior põem em causa o seu cumprimento, tendo acrescentado preocupações adicionais nas instituições das regiões de menor atractividade geográfica.

A implementação de um sistema de dois ciclos de formação vai aumentar a mobilidade dos estudantes no plano europeu, enquanto a nível nacional a lógica dos transvazes irá aplicar-se, agravando as assimetrias regionais. Esta matéria deve merecer reflexão quando se analisa o QREN, como instrumento de orientação estratégica das políticas de coesão com incidência no desenvolvimento.

A economia portuguesa tem registado um retrocesso em termos de competitividade, um cenário que se aplica com maior acuidade à Região Norte, como demonstram a curva descendente do peso relativo da região para o PIB e a divergência do PIB per capita em relação à média nacional e ao nível da produtividade da região que continua em trajectória de divergência relativamente à média nacional. Para ultrapassar esta tendência, é necessário relançar a competitividade, o que exige um esforço sustentado das políticas públicas.

O documento que consubstancia o QREN considera que as políticas públicas baseadas nos apoios da EU tornaram o interior menos estigmatizado. Contudo, não se alteraram as dinâmicas de despovoamento, tendo a modernização da sociedade portuguesa e a sua exposição a formas mais intensas de concorrência internacional, gerado novos factores indutores de assimetrias.

Este cenário conheceu sucessivos agravamentos, traduzidos num crescimento urbano e na desertificação do meio rural. Assim, as aglomerações do litoral contrastem com a ausência de massa crítica do interior, um factor inibidor do dinamismo económico e do acesso a serviços avançados.

Importa inverter este esvaziamento populacional, mediante uma mudança de paradigma de desenvolvimento, dotando as regiões desfavorecidas de plataformas que fomentem a criação de negócios inovadores, articulando-se capacidades empresariais com o conhecimento científico e tecnológico.

O estabelecimento destas plataformas exige fomentar parcerias entre empresas, autarquias, Universidades e centros de investigação. Neste quadro, as Universidades do interior devem ser pólos de dinamização que promovam a coesão territorial, de forma a reduzir as disparidades dos níveis de desenvolvimento entre as regiões.

O investimento em Trás-os-Montes e Alto Douro não pode esgotar-se na auto-estrada até Bragança, devendo ser enquadradas políticas de revitalização no quadro do Programa Operacional Regional.

Neste contexto, a UTAD deve ser apoiada para reforçar a sua missão no desenvolvimento regional, podendo contribuir mais activamente na formação avançada de pessoal de I&D, em programas de \"start-ups\" de empresas de base tecnológica, na promoção do empreendedorismo e de programas empresariais em áreas emergentes (biotecnologia, ambiente e sistemas de informação), para reforçar o sistema regional de inovação.

O apoio público a esta estratégia permitirá atingir um novo paradigma de desenvolvimento, podendo a UTAD continuar o seu percurso histórico iniciado em 1974 que visa intervir pró-activamente no desenvolvimento da região que a acolhe.



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