A habitação, transportes públicos, saúde mental ou espaços públicos de estudo estão entre as prioridades dos estudantes universitários de Vila Real, de acordo com as conclusões de um estudo promovido pela Associação Académica no âmbito das autárquicas.

O levantamento das prioridades para a cidade está a ser apresentado pela Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD) aos candidatos à câmara da capital do distrito, nas eleições de 12 de outubro.

Os cabeça de lista por Vila Real são Alexandre Favaios (PS), Aline Vaz (PSD), Alberto Moura (Chega), Carlos Quinteiro (CDU), Luís Ramalho (Livre), Anabela Oliveira (BE) e Conceição Pinho (CDS).

“A habitação é, neste momento, o grande problema de um estudante universitário”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da AAUTAD, Fernando Gonçalves, aluno de mestrado de Engenharia Agronómica.

Segundo o responsável, participaram nesta auscultação no âmbito das autárquicas cerca de 200 estudantes, destacando como conclusões que a “habitação continua a ser uma preocupação séria, com queixas recorrentes sobre a relação qualidade-preço” e que “apenas 52% dos inquiridos afirmam receber recibo de alojamento”.

“Este é um dado que nos preocupa desde logo porque há aqui um mercado paralelo a funcionar, e um estudante que não disponha de um recibo de arrendamento fica de fora dos apoios sociais a nível nacional ou das próprias instituições, como por exemplo o complemento ao alojamento”, adiantou Fernando Gonçalves.

Concluiu-se ainda que 94% dos estudantes consideram a saúde uma prioridade, sendo a saúde mental a área mais negligenciada, que apenas 18% dos estudantes admitem permanecer em Vila Real após os estudos, apontando as oportunidades de trabalho e o nível salarial como os fatores mais determinantes, e 82% consideram esta cidade segura para viver e estudar.

A nível dos transportes públicos, os estudantes queixam-se de linhas sobrelotadas, falta de condições em autocarros e de linhas noturnas, apontando ainda para a falta de locais públicos de estudo na cidade, o que decorre também da falta de condições dos alojamentos, onde não dispõem de uma área comum para estudar.

A AAUTAD lançou também um outro estudo sobre a habitação universitária, com o objetivo de compreender as condições de arrendamento e o seu impacto na experiência académica dos estudantes.

“A necessidade de encontrar um quarto, as condições em que o consegue fazer é, de facto, aquilo que se torna sempre o maior problema para um estudante e a sua permanência até no ensino superior. Neste sentido, quisemos compreender qual é que é a realidade da cidade de Vila Real”, salientou Fernando Gonçalves.

Este “constante crescimento dos preços” está a deixar, segundo o responsável, os alunos “numa posição muito desfavorável”, levando estudantes a deixar ou estudos ou a arranjar trabalhos ‘part-time’.

Com este estudo, a AAUTAD quer recolher dados sobre valores de arrendamento, legalidade dos contratos e condições dos alojamentos, de forma a caracterizar com maior rigor a realidade habitacional estudantil em Vila Real.

“O valor médio do arrendamento, a questão das despesas e também algo que nos preocupa muito que são as condições do próprio imóvel, se tem uma sala comum para as refeições e para o estudo”, elencou.

Para a recolha de informação, foi disponibilizado um inquérito dirigido a estudantes atuais ou recentes da UTAD que residam, ou tenham residido, em alojamento durante o seu percurso académico.

O questionário tem uma duração de resposta aproximada de 10 minutos, encontra-se acessível através do link: https://forms.office.com/e/96mfjuR9fL?origin=lpr, decorre até ao final de outubro e os resultados preliminares serão apresentados até ao fim de 2025.

Este ano entraram na UTAD cerca de 1.500 alunos, estudando ali à volta de 9.000 estudantes.



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