O Teatro de Vila Real vai receber um apoio de 800 mil euros, em quatro anos, pela Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, classificado localmente como um ato “de justiça” do Estado e um contributo na descentralização cultural.

“Pode dizer-se que a classificação da sua candidatura o coloca no top 10 dos teatros municipais de todo o país”, afirmou em conferência de imprensa o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, que acrescentou que o apoio financeiro era “há muito de elementar justiça”.

O diretor do teatro, Rui Araújo, afirmou também que se trata de um ato “de justiça que o Estado central presta às autarquias” que, ao longo de quase 20 anos, “têm feito um esforço independente de assegurar a descentralização cultural no país”.

“Em muitos casos, como em Vila Real, esta tem sido uma missão que, vivendo apenas do orçamento de um município, serve uma região. Era uma questão de justiça que o Estado se envolvesse no esforço de descentralização da programação artística no país”, reforçou o diretor.

Para Rui Santos, a credenciação e o apoio financeiro da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses são “um reconhecimento não só da importância regional e nacional desta infraestrutura”, da “qualidade e pertinência do programa candidatado” e do trabalho de “programação, produção e difusão cultural” concretizada nos últimos anos.

Esta é, acrescentou, uma “nova fase da vida” do teatro municipal, inaugurado há 18 anos.

E desta forma, salientou a vereadora da Cultura,Mara Minhava, pode “reforçar algumas áreas da sua programação, consolidar alguns projetos que têm vindo a ser desenvolvidos com o tecido criativo local e iniciar novos projetos”.

Com o apoio financeiro de 200 mil euros anuais, durante quatro anos, será possível, segundo a autarca, reforçar a “presença internacional na programação” e aumentar a diversidade nos projetos artísticos nacionais, nas diversas áreas, como o teatro, música, dança e transdisciplinares.

Mara Minhava anunciou a criação de um concurso anual para estimular novos projetos artísticos locais e a realização de ações de formação e mediação de públicos, que terão como alvo o tecido artístico local, a comunidade geral e escolar.

A vereadora especificou que se pretende desenvolver ações de formação na área da dança que estimulem a formação de uma companhia de bailado ou dança contemporânea em Vila Real, a formação de bailarinos ou coreógrafos locais e a fixação de artistas na região.

Rui Araújo destacou, precisamente, o apoio ao “surgimento de projetos artísticos locais que têm uma qualidade nacional”. “É também esse esforço que a rede nos desafia a fazer que é de tentar que os projetos construídos aqui possam ser apresentados noutros pontos do país”, referiu.

Pretende-se também, acrescentou, que as “vocações se possam cumprir aqui no Interior e as pessoas não tenham que se deslocar para o Litoral para desenvolverem uma carreira artística”.

Nos últimos anos, o teatro lançou vários ciclos de programação como o festival Douro Jazz, o festival de dança contemporânea ou o festival de inverno – Boreal e apoiou a criação de projetos como a Banda Sinfónica Transmontana e o Oniros Ensemble, entre outros.

Este ano regressa “Do lado do verão”, com concertos, no exterior do teatro, de Mário Lúcio & os Kriols com Nancy Vieira, Mallu Magalhães, Aline Frazão, Maro e Criatura, ainda um ciclo de cinema e a Arruada – artes de rua.

Por fim, Rui Santos disse que após um primeiro concurso público que teve apenas um concorrente que submeteu uma proposta acima do valor base de 326 mil euros, foi finalmente adjudicada a obra de reabilitação do teatro municipal, por um valor de “cerca de um milhão de euros”.

Nesta primeira fase serão feitos trabalhos de construção civil, instalações hidráulicas e rede de combate a incêndios.

Numa segunda fase serão necessários 825 mil euros para uma intervenção a nível da eficiência energética, procurando-se, neste caso, recorrer a financiamento de fundos comunitários.

Foto: AP



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