O município de Bragança e a Agência Portuguesa do Ambiente assinaram, hoje, um protocolo, de financiamento de um milhão de euros, para requalificação do rio Fervença e da zona Polis, num projeto que o executivo garante ser prioridade.

Este protocolo vem trazer aqui um fôlego novo e uma ambição maior ao nosso projeto”, afirmou a presidente da câmara, Isabel Ferreira.

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, realçou que o rio tem “sintomas” de que não está bem e, por isso, é “fundamental melhorar a qualidade da água”, mas também a biodiversidade.

Acrescentou ainda que esta verba faz parte do programa “Pro~rios”, que entre 2015 e 2026 já reabilitou 2.100 quilómetros de rio, e que tem como meta reabilitar, até 2030, mais 1.500 quilómetros. “O [rio] Fervença vai contribuir com 3,7 quilómetros. É um número para ajudar”, vincou.

O município de Bragança quer requalificar o rio Fervença, tal como a Lusa havia noticiado a 7 de agosto, através de um projeto com uma extensão de 3,7 quilómetros, que incidirá no Parque Verde da Coxa, no campus da Universidade Politécnica de Bragança e na zona Polis, um parque onde o rio passa.

No total vai custar quase cinco milhões de euros. Um milhão de euros, financiado pela APA, servirá para requalificar o rio, melhorando a qualidade da água, e o parque Polis, nomeadamente com a substituição de passadiços, e 3,7 milhões de euros, financiados pelo Norte 2030, serão destinados ao Parque Verde da Coxa, para as “várias zonas de lazer, várias zonas verdes, toda a envolvente paisagística, percursos e melhorar também as margens ao longo de todo o percurso”.

O rio já foi alvo de uma primeira intervenção, um projeto-piloto que consistiu na remoção das algas e instalação de “arejadores de oxigénio, com circulação de água através dos repuxos”, na zona do Polis.

“Da parte do nosso executivo, é uma prioridade absoluta a intervenção no rio Fervença e, se tivesse que escolher um projeto bandeira, seria este”, sublinhou a autarca.

A autarca revelou ainda que foi preciso criar dois projetos de execução, um no polis e outro no parque verde da coxa, este último já foi aprovado em reunião de câmara, e agora o município está “em condições de preparar todo o procedimento de contratação pública” para avançar com as obras.

A APA lançou ainda um desafio ao município: a criação de um refúgio climático no parque Polis, com o objetivo de criar “conforto térmico”, no verão e no inverno, com zonas de sombra.

“Do estudo que vi aqui das alterações climáticas no município de Bragança, desde 1941 a 2022 ocorreram 33 episódios de calor, em 2022, bateu o recorde de temperatura Bragança, 42 graus (…) temos aqui um espaço, um refúgio, um jardim climático, em questões de temperatura tem de ser ponderadas, esta boa relação com o Fervença também ajuda a arrefecer, a minimizar o impacto das temperaturas”, frisou Pimenta Machado.

A Universidade Politécnica de Bragança também integra o projeto, onde está parte da margem direita do rio, que vai ser reabilitada e onde também será construído um passadiço, e contribuirá também com conhecimento cientifico.

“A reabilitação de rios precisa obviamente de conhecimento cientifico, conhecer a fauna, flora, a dinâmica hidrológica dos rios, portanto é nessa componente que interviremos”, explicou o reitor Orlando Rodrigues.



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