Tendo sido convidado por uma das minhas editoras para uma sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto, declinei, sem hesitações, o convite.
E porquê?
Porque me revoltou a decisão da organização (uma entidade pública, paga com dinheiros públicos) de ter rejeitado a inscrição na Feira do Livro de livreiros e pequenas editoras transmontanas. A Livraria “Traga-Mundos”, representativa dos autores transmontanos, que sempre esteve presente, este ano viu rejeitada a sua inscrição.
Soube também que o mesmo a aconteceu, pelo menos, com a editora “Lema d’Origem”, de Carviçais – Torre de Moncorvo, um das que mais publica e divulga os autores desta região
Aqui se vê como este Interior, também na Cultura, é um parente pobre, desprezado por quem tem o poder de decidir.
É uma vergonha ver como os tiques centralistas de Lisboa agora já se mudam para o Porto.
E que dizem sobre isto os deputados transmontanos (Rui Santos, Amílcar Martins, Manuela Tender, Hernâni Dias, Nuno Gonçalves…)? Será que alguma vez a Cultura pode contar com eles?
Já me canso de ver os porta-vozes (eleitos) deste Interior esquecido sempre vergados e subservientes com quem detém o poder.
Como dizem os velhos sábios transmontanos: Quando um homem rasteija, até um cão lhe meija.