Clara de Sousa Alves

Clara de Sousa Alves

A terra que se escolhe todos os dias

Nestes dias de campanha autárquica tenho percorrido o distrito de Bragança e, de perto, o meu concelho. As distâncias são longas e o tempo parece correr de outra forma. Passo por casas fechadas, janelas trancadas, escolas primárias que há muito deixaram de ouvir crianças. Mas também encontro movimento. Quem varre a rua todas as manhãs, quem sobe para o trator antes do sol nascer, quem ainda faz aguardente ao fim do dia. O interior é feito dessa teimosia. Uma mistura de ausência e resistência, de solidão e pertença, de quem ficou por convicção e de quem continua a acreditar que vale a pena.

É por isso que as autárquicas têm um significado tão particular. Aqui, o voto tem impacto direto. É o voto que decide se o caminho é arranjado, se o autocarro passa, se o centro de saúde mantém as portas abertas, se o apoio chega, ou não chega, a quem vive sozinho. O poder local é o primeiro rosto do Estado e, muitas vezes, o único que permanece. E é também o espaço onde a política ainda pode ser próxima, humana, feita de escuta e de presença. O que falha na distância de Lisboa tenta resolver-se na proximidade de quem conhece o território e se dirige às pessoas pelo nome próprio.

Há, claro, o lado menos bonito das campanhas: ataques pessoais, promessas que se multiplicam, pressões, favores que aparecem na hora certa, pequenos gestos que confundem generosidade com conveniência. São formas de fazer política que afastam as pessoas e desgastam a democracia. O punho que se ergueu pela liberdade tornou-se, em muitos casos, no punho que a aperta. É pena.

Mas há também o outro lado, aquele que me faz acreditar. Vejo muitos jovens envolvidos, muitos pela primeira vez. Alguns como candidatos, outros a apoiar equipas, a distribuir material de campanha, a organizar, a conversar com as pessoas, a acompanhar quem se propõe servir. Fazem-no com naturalidade, sem vaidade nem cálculo, apenas porque sentem que devem participar. Nem todos se revêm nos partidos, mas estão atentos à vida das suas terras e acreditam nas pessoas, nas causas e nos lugares.

É dessa participação que o poder local se alimenta. Da energia dos jovens, da experiência dos mais velhos, da vontade de todos os que acreditam que é possível melhorar o lugar onde vivem. O PSD tem sabido representar esse espírito. Não é por acaso que é o partido mais português de Portugal. É porque está onde as pessoas estão, porque reconhece o valor do trabalho, o peso do território e a importância da proximidade.

Estas eleições são um momento importante para cada freguesia, cada concelho e para o país inteiro. Só daqui a quatro anos voltaremos a escolher quem decide o rumo das nossas terras. E quatro anos, no interior, é uma eternidade. É tempo suficiente para dar ou tirar futuro.

O coração de um concelho bate ao ritmo das escolhas de quem lá vive. É nesse ritmo que se decide tudo: avançar, mudar ou deixar que tudo permaneça igual. O voto é o gesto que separa a esperança da indiferença.

Caro leitor, há pouco mais de cinquenta anos, conquistar o direito ao voto foi conquistar a liberdade de decidir o próprio destino. No domingo, cabe-nos honrar essa conquista com responsabilidade e consciência. Que cada um de nós, no silêncio da urna, escolha continuar a acreditar. Porque a terra que se escolhe todos os dias é feita de quem não desiste dela e é nas escolhas de quem permanece que o futuro encontra voz.

Clara de Sousa Alves


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