Avelino Pinheiro

Avelino Pinheiro

A quem interessa propagar mentiras e travar o desenvolvimento da Borralha e de Portugal?

Há mentiras que circulam com aparência de causa nobre. Uma delas procura propagar a ideia de que todo o projeto mineiro é, por definição, uma ameaça ao território. É uma narrativa fácil de espalhar, porque se alimenta do medo. Usa palavras fortes, imagens de destruição e ameaças à água, à saúde, aos animais, às aldeias e ao futuro. Mas raramente aceita discutir factos, distinguir passado de presente ou separar uma exploração antiga, feita noutros tempos e com outros padrões, de um projeto moderno, acompanhado, fiscalizado e sujeito ao cumprimento rigoroso de regras ambientais muito exigentes.

As regiões do interior conhecem bem o preço da falta de oportunidades. Conhecem a perda de população, a saída dos jovens e a dependência de decisões tomadas longe do território. Por isso, quando surge um projeto capaz de promover emprego, formação, investimento e dinamização económica, ele não pode ser condenado com base em distorções e alarmismo.

A questão da água é um bom exemplo de como a desinformação pode contaminar o debate público. Não é correto apresentar o projeto da Mina da Borralha como uma ameaça inevitável aos rios e à saúde pública quando a água a utilizar no processo virá das zonas inundadas da antiga mina e será reutilizada em circuito fechado, com tratamento, controlo e monitorização contínua, sem descargas de água industrial no ambiente.

Importa ainda sublinhar que a Borralha tem um passivo ambiental herdado da antiga exploração mineira, encerrada há 40 anos. Esse passivo existe e não foi criado pelo projeto atual. Pelo contrário, a nova fase prevê a recuperação de áreas degradadas, devolvendo ao território uma relação mais responsável com a sua própria história mineira.

Também é enganador reduzir o tungsténio a uma imagem sombria e parcial. Trata-se de uma matéria-prima crítica para a indústria moderna, utilizada em ferramentas de corte, equipamentos de elevada resistência, componentes eletrónicos, tecnologias industriais, energéticas, digitais, aeroespaciais e também em sistemas de defesa. Escolher apenas uma utilização, ignorando todas as outras, não é informar. É tentar manipular.

A Europa fala frequentemente de autonomia estratégica, transição energética, indústria tecnológica e redução da dependência externa. Mas esses objetivos exigem matériasprimas, produção e responsabilidade sobre a origem dos materiais que sustentam a vida moderna.

A verdadeira sustentabilidade não consiste em fingir que a economia não precisa de materiais, mas em produzir melhor. A população tem o direito de exigir garantias,  acompanhar cada etapa e exigir o cumprimento dos compromissos assumidos. O que não contribui para proteger o território é criar cenários catastróficos com falsas certezas. É por isso que a participação da comunidade é essencial. A Mina da Borralha conta com uma Comissão de Acompanhamento, uma entidade autónoma e independente, criada para permitir que representantes locais acompanhem o projeto, coloquem questões, transmitam preocupações e tenham acesso a informação ao longo do processo. Conta também com um Centro de Informação, pensado para aproximar o projeto da população, esclarecer dúvidas e garantir que o debate se faça com dados, não com rumores.

Os canais de transparência e diálogo estão abertos. Ainda assim, há quem prefira alimentar o medo em vez de contribuir para uma discussão séria sobre o futuro da região. As riquezas do solo português não devem ser vistas como uma condenação, mas como uma possibilidade concreta de valorizar o território e criar melhores condições para as comunidades que durante demasiado tempo foram esquecidas.

A quem interessa que a Borralha continue prisioneira de narrativas que tratam o interior como cenário de ameaça, e não como lugar de futuro? Portugal precisa de debater os seus recursos com seriedade. E a Borralha tem o direito de discutir o seu futuro com base na verdade.

Avelino Arantes Pinheiro
Geólogo, Professor e diretor do projeto da Mina da Borralha.



Partilhar:

+ Crónicas