Alexandre Parafita

Alexandre Parafita

A noite só escurece para quem não sabe sonhar

Mário Trindade, atleta de Vila Real, é o modelo do verdadeiro campeão, para quem os sonhos se encarregam de garantir o fulgor de uma primavera renascida, resistentemente luminosa. Atleta premiado, medalhado, recordista, em Portugal e no estrangeiro, sempre soube sublimar as fraquezas e torná-las o motor das suas forças, do seu talento. Conheço-o desde miúdo, vi-o treinar nas pistas da UTAD e sempre apreciei a grande energia que dele irradia, para além de um talento invulgar.

Foi, por isso, com um ah de espanto que tanto ele como todos os que o conhecem viram o seu nome retirado da lista de convocados para os Jogos Paraolímpicos Rio 2016. Ele, que havia conseguido alcançar os mínimos para a competição paraolímpica, e tudo investiu nesse sonho, dinheiro, horas e horas, dias, semanas, meses de treino. A pista passou a ser a sua segunda casa, fizesse sol, frio ou chuva. Falta de vaga foi a justificação dada para a recusa. Mas que raio de justificação! Gente fria, insensível, incapaz, foi certamente quem assim decidiu. Resta a certeza de que não serão esses burocratas da capital que lhe travarão o sonho de ser campeão. Esse continua ativo e continuará a guiá-lo.


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