A Junta de Castela e Leão inviabilizou a exploração mineira de volfrâmio e estanho em Calabor, Espanha, que fica a cinco quilómetros de Bragança e do Parque Natural de Montesinho, adiantou hoje à Lusa o Movimento UIVO.

Este projeto mineiro, designado Valtreixal, em Calabor, já entrou em consulta pública em 2019 e desde 2021 que o Movimento UIVO luta para que esta exploração não avance.

No dia 13, a Junta de Castela e Leão pronunciou-se e não atribuiu a licença ambiental, impedindo que a exploração mineira aconteça.

“Este passo é determinante para que esta exploração mineira não avance. Ouvidas todas as entidades e a sociedade civil, quer do lado espanhol, quer do lado português, no âmbito da consulta pública e tendo em conta o estudo de impacte ambiental e as questões que já levantava em termos dos impactos que esta mina teria, obviamente houve uma comunicação desfavorável a este projeto. Portanto, estamos convencidos que não há condições nenhumas para avançar”, referiu António Sá, membro do movimento.

O Movimento UIVO foi criado por habitantes do Parque Natural de Montesinho após conhecimento desta exploração de volfrâmio e estanho que iria ser feita numa área de 250 hectares, que faz parte da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica e da Rede Natura 2000.

“A mina previa a utilização de toneladas de dinamite, a construção de uma linha de alta tensão de 10km e de uma fábrica de tratamento de minério, a passagem diária de dezenas de veículos pesados, o armazenamento e aterragem de resíduos perigosos e a criação de uma escombreira de grande dimensão”, alertou.

Segundo o movimento, esta atividade mineira teria impactos negativos “na biodiversidade, na qualidade do ar e da água, destruindo a flora e habitat de animais selvagens”, contaminado rios como o Sabor, prejudicando “a agricultura e a saúde da população”.

“A mina ficaria apenas a cinco quilómetros do território português, portanto nós íamos sofrer. Muito próximo de Rio de Onor, muito próximo da zona da Lama Grande, que é uma zona sensível do Parque Natural de Montesinho e, portanto, o impacto ia ser enorme. Eu acho que íamos ter todos a perder, íamos perder esta mais-valia turística, que é o Parque Natural de Montesinho, e, portanto, eu acho que a vitória acaba por ser de todo o território português”, afirmou António Sá.

Já em 2021, noticiado pela Lusa, o Movimento UIVO tinha mobilizado 50 empresários do ramo turístico de Bragança e ainda o Turismo de Portugal a pronunciarem-se contra este projeto mineiro.

“A execução do projeto colidiria com a preservação deste património classificado, com os interesses e direitos da população e com os interesses ambientais, sociais e económicos não só da região, mas também de todo o nosso país”, realçou o movimento.

Também na altura, o Governo português pronunciou-se contra, através de uma avaliação de impacte ambiental transfronteiriça.

Esta luta chega ao fim, mas o Movimento UIVO chamou ainda a atenção para outras que estão a decorrer, como a exploração mineira na Gudiña, Galiza, a dois quilómetros do concelho de Vinhais, também no Parque Natural de Montesinho.

No terreno já estão a ser feitos trabalhos e prevê-se que a exploração arranque no início de 2027. O movimento alertou para os impactos negativos e para uma ilegalidade, a falta de avaliação de impacte ambiental transfronteiriça, que é obrigatória.

Segundo avançou à Lusa, o UIVO tem estado em conversações com a ministra do Ambiente, que disse fazer os possíveis para chegar à fala com o Governo espanhol.

Foto: António Pereira



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