A presidente da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do distrito de Bragança reclamou hoje uma atualização “urgente” dos acórdãos com a Segurança Social para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis.

“Nós, realmente, precisávamos de ter uma atualização dos acórdãos de cooperação urgente e depois receber apoios específicos para combustível ou até para mobilidade, não esquecendo que estamos numa zona do país, no Interior, em territórios com baixa densidade, e se calhar era importante nós também termos aqui uma discriminação positiva”, defendeu, em declarações à Lusa, Paula Pimentel, presidente da União das IPSS do distrito de Bragança.

De acordo com a responsável, o valor pago pela Segurança Social às instituições foi atualizado em 2025, mas tem por base gastos de 2024.

“A atualização destes acordos nem sempre acompanha a evolução daquilo que é a nossa despesa diária”, afirmou.

Paula Pimentel disse que o aumento constante do preço dos combustíveis está a ter um grande impacto no orçamento “muito limitado” dos lares do distrito, que estão a passar por “uma fase difícil” que tem sido combatida com uma gestão diária “muito eficaz e muito rigorosa”, fazendo “verdadeiros milagres”.

“Ainda por cima nesta zona em que nos encontramos, no Interior, mais dificuldades temos. Desde logo pela questão de termos que acompanhar os nossos utentes, independentemente da idade. Geralmente temos viaturas ou carrinhas que têm mesmo de funcionar através de combustível e logo temos as nossas despesas aumentadas”, explicou.

Além da “logística diária” no acompanhamento a consultas e exames médicos, as instituições têm ainda grandes gastos com os serviços de apoio domiciliário, disse.

Embora tenham já algumas viaturas elétricas, “não são em número suficiente para fazer face às necessidades”, uma vez a população vive dispersa e é preciso recorrer a vários automóveis a combustível.

“Temos de fazer muitos quilómetros, muitas vezes para satisfazer necessidades de poucos utentes (…) Depois, este investimento numa frota com viaturas elétricas também implica um investimento inicial e a maior parte de nós, instituições, não tem capacidade de suportar, assim como garantir a eficiência energética dos edifícios”, apontou Paula Pimentel, esclarecendo que alguns lares precisam de obras para melhorar o conforto energético.

Outro dos problemas é precisamente o aquecimento e, segundo a presidente da União das IPSS do distrito de Bragança, as instituições da região “recorrem, na maioria dos casos, a sistemas de aquecimento de gasóleo, o que agrava ainda mais os custos”.

“Nós temos que tentar manter a mesma temperatura durante o ano e nós aqui temos meses de inverno longos e, por isso mesmo, temos de garantir o conforto dos nossos utentes”, referiu.

Face a esta conjuntura, as IPSS estão a tentar rentabilizar rotas e recursos para conseguirem suportar estes aumentos.

“Eu acho que todas nós [instituições] estamos a passar por uma fase difícil. Não tenho dados para dizer que estão a viver uma fase de asfixia, nenhuma em particular, mas acho que todas nós temos de ter muito cuidado na gestão diária, porque podemos correr o risco de passar uma fase muito muito difícil”, rematou.

Os preços do petróleo têm disparado desde o início da ofensiva militar de grande escala lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro, cenário que tem suscitado receios de um novo aumento da inflação e de um abrandamento da atividade económica mundial.



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